O dólar americano iniciou agosto em terreno mais fraco após uma forte escorregada no fim de julho. O pano de fundo inclui um Federal Reserve, sob a liderança do presidente Kevin Warsh, que tem evitado preparar os mercados para juros mais altos, enquanto a atenção se voltou para reformas institucionais e, em particular, para a redução do *forward guidance* após a reunião do FOMC de 28–29 de julho.
Ao mesmo tempo, a intervenção cambial coordenada entre EUA e Japão em USD/JPY adicionou pressão, e um ambiente geopolítico mais ameno no Oriente Médio reduziu o suporte ao *greenback*. Nos mercados de juros, a inclinação maior da curva de Treasuries dos EUA não se traduziu em força do dólar; ao contrário, veio acompanhada de menor confiança na direção da política monetária americana.
Perspectiva baixista para o dólar e estratégias com derivativos
Esperamos que o dólar dos EUA enfrente forte pressão baixista ao longo de agosto, após a queda acentuada no fim de julho. Operadores de derivativos devem considerar a compra de opções de venda (puts) em USD ou a venda do *greenback* contra as principais moedas. Historicamente, quando o Índice do Dólar cai abaixo de suas médias móveis-chave durante a sazonalidade mais fraca de agosto, o impulso baixista tende a persistir por várias semanas.
A intervenção cambial coordenada entre EUA e Japão torna a venda de USD/JPY uma operação altamente atrativa. Essa ação conjunta remete às intervenções de grande porte de 2024, quando o Japão gastou quase 9,8 trilhões de ienes para defender sua moeda, reforçando que operar contra bancos centrais costuma ser uma batalha perdida. Sugerimos o uso de *bear put spreads* para capturar uma nova perna de queda, limitando o risco diante de picos de volatilidade.
Curva de juros e mudança na demanda por ativos de proteção
Como o presidente do Fed, Kevin Warsh, optou por priorizar a redução do *forward guidance* em vez de elevar os juros, a curva de Treasuries dos EUA ganhou inclinação de forma significativa. Recomendamos montar operações de *steepener* (inclinação da curva), que se beneficiam quando o diferencial entre os rendimentos de 2 anos e 10 anos se amplia. Essa posição explora a queda de confiança do mercado na condução da política monetária, um arranjo que, historicamente, tende a pressionar os juros longos para cima.
Por fim, um quadro geopolítico mais calmo no Oriente Médio está esvaziando o apelo do *greenback* como porto seguro. Recomendamos realocar capital para derivativos em modo *risk-on*, como opções de compra (calls) em moedas de mercados emergentes ou em ativos ligados a commodities. Com múltiplas forças alinhadas contra o *greenback*, posicionar-se para um dólar mais fraco é o caminho mais lógico para as próximas semanas.
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