Julho trouxe uma forte rotação na liderança das ações no fim do 2º tri, com os vencedores do ano até agora perdendo tração. O Kospi, da Coreia do Sul, recua 23% neste mês, o índice de Shenzhen, na China, caiu 16%, e o Nikkei, do Japão, recua 9%. A Europa se saiu melhor: o FTSE 100 sobe 4% em julho, enquanto o Dax, da Alemanha, e o índice bancário Eurostoxx avançaram 5,71%. Nos EUA, o Nasdaq Composite cai 2% e o Nasdaq 100 recua 5%, com perdas mais pesadas no Nasdaq Telecommunications Index e no Philadelphia Semiconductor Index, em queda de 19% e 18%, respectivamente.
Um rali no fim da semana em ações de tecnologia nos EUA ajudou a evitar quedas maiores e manteve o Nasdaq 100 distante do suporte de sua média móvel simples (SMA) de 200 dias em 26.690, com resistência na SMA de 50 dias em 29.590. As ações europeias se mantiveram resilientes apesar da alta mensal de 20% no Brent, com o petróleo ainda abaixo de US$ 100 por barril, enquanto o Eurostoxx 600 e o FTSE 100 renovaram máximas históricas nesta semana. Na temporada de balanços, o crescimento do lucro por ação (EPS) do Eurostoxx 600 é de 17% contra 11% esperado, ou 7% excluindo energia, com 70% ainda por divulgar; nos EUA, os lucros do S&P 500 sobem 37% na comparação anual, ou 25% excluindo a Alphabet, o ritmo mais forte desde o 3º tri de 2021.
Estratégias de Ações e Opções para Agosto
Sugerimos que traders de derivativos busquem spreads de alta com opções de compra (bullish call spreads) nas “hyperscalers” de tecnologia dos EUA na entrada de agosto, aproveitando o recente repique do setor no fim de julho. Com o Nasdaq 100 se estabilizando bem acima de sua média móvel simples de 200 dias em 26.690, há um caminho técnico claro em direção à média móvel de 50 dias em 29.590. O crescimento robusto dos lucros do S&P 500 de 37% ano contra ano — o mais rápido desde o 3º tri de 2021 — oferece forte sustentação fundamental para esse movimento de alta.
Enquanto índices europeus como o FTSE 100 e o Eurostoxx 600 atingiram recordes nesta semana, recomendamos a compra de opções de venda (puts) de proteção nesses índices para fazer hedge contra uma possível correção. Embora o crescimento “headline” dos lucros europeus pareça forte em 17%, ao excluir os ganhos do setor de energia essa taxa cai para modestos 7%. Como 70% das empresas europeias ainda não divulgaram seus resultados, qualquer orientação (guidance) corporativa decepcionante nas próximas semanas pode desencadear uma reversão acentuada do mercado.
Abordagens Táticas em Meio à Volatilidade e à Força do Petróleo
Traders devem se preparar para maior oscilação do mercado usando estratégias com opções do tipo straddle ou strangle compradas em ações de tecnologia de mega capitalização, antes da enxurrada de balanços da próxima semana. Dados históricos de mercado mostram que agosto é tradicionalmente um dos períodos mais voláteis do ano, com o índice de volatilidade Cboe (VIX) subindo, em média, mais de 10% ao longo do mês devido à menor liquidez do verão. Essa volatilidade sazonal, combinada com divulgações muito aguardadas de empresas como a SpaceX, torna estratégias de compra de prêmio particularmente atraentes neste momento.
Também vemos oportunidades em derivativos de petróleo, já que a recente disparada de 20% do Brent ainda não rompeu o nível psicológico de US$ 100 por barril. Traders podem considerar opções de compra (calls) em ETFs de energia para surfar o momentum do setor, que hoje sustenta os resultados corporativos europeus. Essa estratégia também permite fazer hedge contra pressões inflacionárias mais amplas que os banqueiros centrais ainda monitoram ativamente.
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