O PMI preliminar (flash) de julho da zona do euro superou as projeções, com a indústria subindo para 52,0 ante 51,4 e os serviços para 51,6 ante 49,4, elevando o composto para 51,9 ante 50,0 em junho. A atenção agora se volta para a divulgação do PMI dos EUA, enquanto os mercados monitoram o petróleo, os rendimentos (yields) e as mudanças nas expectativas para os bancos centrais. O petróleo está por volta de US$ 100, reconfigurando os riscos de inflação e complicando o cenário para o BCE, que manteve os juros; a expectativa é que o BoE e o Fed façam o mesmo na próxima semana, embora o debate sobre as reuniões futuras esteja ganhando força.
A precificação de política monetária ficou mais apertada. O CME FedWatch aponta a probabilidade de alta de juros pelo Fed na próxima semana em 33,7%, acima de 12,8% uma semana antes; para setembro, 23,3% implicam alta enquanto 20,4% implicam corte, com a maioria esperando manutenção. A nota também destaca o aumento dos riscos geopolíticos de oferta em torno do Estreito e do Mar Vermelho como rotas para o petróleo saudita, e argumenta que essas pressões podem manter os yields elevados e aumentar a sensibilidade a déficits nos EUA e no Reino Unido. O texto descreve o trecho como parte do “The Rockefeller Morning Briefing”, uma publicação diária de mais de 25 anos, e oferece um teste de duas semanas por US$ 3,95.
Mercados de energia, choques de inflação e volatilidade no mercado de títulos
Estamos diante de uma combinação volátil de disparada nos custos de energia, alta dos yields e mudanças súbitas em direção mais “hawkish” por parte dos bancos centrais. Com os PMIs preliminares de julho exibindo resiliência surpreendente — incluindo o composto da zona do euro voltando a 51,9 — a atividade econômica está se sustentando, mas essa força está colidindo com uma inflação de oferta massiva. Para operadores de derivativos, o foco principal nas próximas semanas deve migrar das divulgações econômicas padrão para a proteção (hedge) direta contra uma precificação mais agressiva de juros e picos de commodities.
A maior ameaça imediata às carteiras é o preço do petróleo bruto, que atualmente ameaça romper o patamar de US$ 100. Disrupções geopolíticas no Mar Vermelho e no Estreito de Bab al-Mandab, na prática, duplicaram os gargalos globais de navegação, elevando fretes e custos de energia. Dados recentes de rastreamento marítimo indicam que os volumes que atravessam o Canal de Suez despencaram mais de 50% em relação ao ano passado, forçando petroleiros a adotarem rotas mais longas e caras.
Esse choque inflacionário “em duas frentes”, vindo de fretes e energia, está provocando fortes turbulências nos mercados de dívida soberana. Os yields dos Treasuries de 10 anos dos EUA avançaram recentemente, ameaçando superar as máximas anteriores, de várias décadas, em 5,0%, à medida que os “bond vigilantes” exigem prêmios de prazo (term premium) maiores. Recomendamos que os operadores se preparem para volatilidade extrema no mercado de juros e considerem estratégias com opções que protejam contra um novo aumento da inclinação da curva de rendimentos.
Bancos centrais mais “hawkish” e estratégias de negociação em meio a riscos geopolíticos
Esse ambiente está forçando os bancos centrais a repensarem suas trajetórias de política, tornando as próximas reuniões altamente imprevisíveis. Enquanto o mercado antes esperava cortes de juros, a ferramenta CME FedWatch agora mostra que a probabilidade de alta de juros pelo Federal Reserve na próxima semana saltou para 33,7%, ante apenas 12,8% uma semana atrás. Operadores devem usar opções marginais de curto prazo em juros (STIR) para se posicionar para surpresas mais “hawkish”, já que o risco de um ajuste de juros entre reuniões não é mais desprezível.
À medida que avançamos para o fim de semana, espere um movimento relevante de zeragem de posições e redução de risco por parte de participantes cansados da escalada geopolítica. A incerteza política e o potencial de ação militar unilateral no Oriente Médio podem desencadear fluxos súbitos e intensos de busca por proteção (safe haven) para o dólar. Recomendamos manter posições líquidas, preservar um colchão elevado de caixa e usar derivativos de volatilidade, como compra de calls de VIX, para se proteger contra uma liquidação mais ampla no mercado de ações.
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