O Banco Central Europeu (BCE) manteve sua taxa de depósito em 2,25%, e sua comunicação continuou a deixar espaço para aperto adicional. A mensagem de política mais recente foi amplamente consistente com o cenário-base de junho do BCE, que havia sido construído em cima da precificação do mercado de três altas neste ciclo — implicando mais dois movimentos após o aumento de junho. Os comentários que acompanharam a decisão sugeriram que não houve tentativa de desafiar as expectativas predominantes do mercado para a trajetória da política monetária.
Estrategistas do Deutsche Bank agora veem como altamente provável um movimento em setembro para 2,50%. Eles descrevem o balanço de riscos como inclinado para mais uma alta depois disso, mas apenas se os preços de energia permanecerem persistentemente elevados ou se houver evidências de efeitos de segunda rodada.
Posicionamento no Mercado de Derivativos e Probabilidades de Alta de Juros
Acreditamos que os traders de derivativos devem se preparar imediatamente para uma mudança nos yields da Zona do Euro à medida que o BCE se posiciona para uma alta de juros em setembro para 2,50%. Dados recentes de mercado mostram que os futuros de €STR (Euro Short-Term Rate) já embutem uma probabilidade de 82% dessa elevação de 25 pontos-base. Essa precificação apertada deixa muito pouca margem para erro, o que significa que qualquer surpresa mais hawkish pode desencadear movimentos bruscos em contratos de curta duração.
Para capturar esse cenário, recomendamos vender (short) os futuros de Euribor de setembro e dezembro de 2026, visando aproveitar a pressão de alta sobre as taxas de juros de curto prazo. Tendências históricas mostram que, quando o BCE sinaliza um caminho claro, os yields de curto prazo rapidamente se alinham às metas oficiais de política. Com a inflação da Zona do Euro em torno de 2,5% em meados de 2026, o piso para as taxas de juros permanece firmemente elevado.
Recomendações de Estratégia em Renda Fixa e Câmbio
Também sugerimos implementar estratégias de bear flattener usando opções sobre os futuros de Euro-Bund e Euro-Schatz. Os yields de curto prazo são altamente sensíveis a essas mudanças imediatas de política, enquanto os yields de longo prazo provavelmente permanecerão ancorados por preocupações mais amplas com o crescimento econômico. Essa divergência torna a compra de opções de venda (puts) em títulos de curto prazo uma forma relativamente barata de hedge contra um aperto mais agressivo.
No mercado de derivativos de câmbio, favorecemos a compra de opções de compra (calls) de euro contra o dólar dos EUA para explorar o aumento do diferencial de juros. A volatilidade recente no mercado de energia, com o Brent sendo negociado perto de US$ 80 o barril, continua a ameaçar efeitos inflacionários de segunda rodada que poderiam levar o BCE a subir juros além de setembro. Se essas pressões de energia persistirem, o euro tende a se fortalecer ainda mais à medida que o mercado passa a precificar uma taxa terminal mais próxima de 2,75%.
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