
Pontos-chave
- O ouro se recuperou por pouco tempo, chegou à máxima intradiária de US$ 4.128,28 e depois virou forte para baixo na sessão de quarta-feira.
- O XAUUSD (par usado no mercado para cotar ouro em dólar) caiu depois abaixo do nível psicológico de US$ 4.100 e era negociado perto de US$ 4.050, após tocar mínima intradiária ao redor de US$ 4.040.
- Petróleo mais caro, juros dos Treasuries (títulos do governo dos EUA) em alta e dólar mais forte seguiram pressionando o ouro, mesmo com a incerteza geopolítica.
- O mercado aguarda a ata da reunião de junho do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) para entender melhor os riscos de inflação e o rumo dos juros.
- O suporte imediato está por volta de US$ 4.040, enquanto a faixa de US$ 4.090–US$ 4.100 virou a primeira área de recuperação a acompanhar.
O ouro ampliou a queda na quarta-feira depois que a alta no início do dia não se sustentou. O XAUUSD (ouro em dólar) caiu abaixo do nível psicológico de US$ 4.100, enquanto a alta dos juros dos Treasuries (títulos do governo dos EUA) e o fortalecimento do dólar superaram a busca por proteção.
O ouro à vista (preço para entrega imediata) chegou a US$ 4.128,28 por onça após se recuperar da menor cotação desde 2 de julho mais cedo. Mais tarde, porém, a pressão vendedora acelerou e o preço recuou em direção a US$ 4.050, depois de tocar mínima intradiária perto de US$ 4.040.
A virada mostra forças opostas atuando sobre o XAUUSD nesta fase.
A escalada de tensão entre EUA e Irã normalmente sustentaria a demanda por ativos defensivos, como o ouro. Mas as novidades também fizeram o petróleo subir, aumentando o temor de que energia mais cara mantenha a inflação alta.
Quando o mercado espera inflação mais alta, tende a apostar em um Fed mais duro, ou seja, mais disposto a manter ou subir juros. Isso pode elevar os rendimentos dos Treasuries e fortalecer o dólar — dois fatores que costumam pressionar o ouro, que não paga juros.
Por que os traders estão de olho no ouro
A ata da reunião de junho do Federal Reserve (Fed) é o principal gatilho (evento capaz de mexer com preços) no calendário para quem opera ouro.
Na reunião de 16–17 de junho, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, grupo que define os juros nos EUA) manteve a meta da taxa fed funds (juros básicos dos EUA) na faixa de 3,50% a 3,75%. O Fed também afirmou que a inflação seguia acima da meta de 2%, em parte porque choques de energia e problemas de oferta elevaram preços em alguns setores.
Por isso, o mercado vai buscar na ata sinais de como os dirigentes avaliaram o equilíbrio entre risco de inflação e fraqueza em partes da economia.
As apostas para juros já mudaram. O mercado passou a precificar uma probabilidade implícita (chance estimada a partir dos preços de contratos, como futuros) de mais de 63% de alta de juros em setembro, ante cerca de 57% um dia antes.
Isso contrasta com o começo da semana, quando dados mais fracos de emprego nos EUA reduziram a expectativa de alta de juros no curto prazo e ajudaram o ouro a ficar perto da máxima de duas semanas.
A direção dessas apostas deve seguir sendo importante para o XAUUSD após a divulgação da ata.
Petróleo, juros e dólar limitam a recuperação
O petróleo subiu mais de 3% após novos desdobramentos militares envolvendo EUA e Irã. Os rendimentos dos Treasuries também avançaram, enquanto o dólar alcançou o nível mais alto em cerca de uma semana.
Esse conjunto de movimentos dificultou a vida do ouro.
A incerteza geopolítica pode aumentar a procura por ouro como “porto seguro” (ativo buscado em momentos de estresse). Ao mesmo tempo, petróleo mais caro tende a aumentar o medo de inflação e reforçar a expectativa de juros altos por mais tempo.
Juros mais altos aumentam o apelo de aplicações que pagam rendimento, como títulos. E um dólar mais forte encarece o ouro cotado em dólar para compradores de fora dos EUA.
Por isso, tensão geopolítica não garante alta do ouro. O efeito depende de a demanda por proteção ser maior do que a pressão vinda de juros mais altos, dólar forte e mudanças nas apostas para a taxa de juros.
Níveis importantes para operar
| Níveis de preço | O que o mercado acompanha |
| US$ 4.090–US$ 4.100 | Primeira zona de recuperação. O ouro precisa retomar essa faixa para aliviar a pressão vendedora no curto prazo. |
| US$ 4.128–US$ 4.150 | Primeira resistência (faixa em que o preço costuma ter dificuldade para continuar subindo). Um movimento sustentado acima reforça a chance de recuperação. |
| US$ 4.040 | Suporte imediato (região em que o preço costuma encontrar compra). Perder esse nível pode reforçar a queda. |
| US$ 4.000 | Próxima referência psicológica de baixa se a venda ganhar força. |
As áreas acima se baseiam em preços públicos de referência de spot (à vista) e de CFD (Contrato por Diferença, instrumento que replica a variação de preço sem comprar o ativo) observados na sessão de quarta-feira. Os preços podem variar entre corretoras, provedores de cotação à vista e contratos futuros.
Com o XAUUSD perto de US$ 4.050, o foco imediato vai para o suporte em US$ 4.040. Se o preço segurar acima desse nível, o humor no curto prazo pode estabilizar. Uma perda clara abaixo de US$ 4.040 pode abrir espaço para novas vendas até a região psicológica de US$ 4.000.
O antigo pivô (ponto de referência) em US$ 4.100 virou o primeiro alvo de recuperação. Os compradores também precisam retomar a média móvel (média do preço em um período, usada para indicar tendência) de curto prazo, perto de US$ 4.090, antes de tentar voltar para US$ 4.128–US$ 4.150.
Cenários de alta e de baixa

| Configuração | Gatilhos | Possível reação do mercado |
| Recuperação | XAUUSD volta para a faixa de US$ 4.090–US$ 4.100 | A pressão vendedora pode perder força, trazendo US$ 4.128–US$ 4.150 para o radar. Dólar mais fraco, queda dos juros dos Treasuries ou sinais de um Fed menos duro podem ajudar. |
| Queda | XAUUSD perde US$ 4.040 | Vendedores podem manter o controle no curto prazo, com o nível psicológico de US$ 4.000 em foco. Juros mais altos, dólar mais forte ou petróleo pressionando a inflação podem prolongar a baixa. |
| Lateral | Ouro oscila entre US$ 4.040 e US$ 4.090 | O preço pode se acomodar se a ata do Fed não mudar de forma relevante as apostas para juros. |
| Mais volatilidade | A ata do Fed destaca inflação persistente ou apoia novas altas de juros | Detalhes mais “hawkish” (tom mais duro, favorável a juros altos) podem elevar os juros dos Treasuries e o dólar, pressionando ainda mais o ouro. |
O cenário de recuperação ganha força se o XAUUSD retomar a região de US$ 4.090–US$ 4.100 e se manter acima dela. Isso sugeriria perda de força da venda, com US$ 4.128–US$ 4.150 como próximo alvo.
O risco de queda segue enquanto o ouro ficar abaixo de US$ 4.100. Uma quebra abaixo de US$ 4.040 pode expor o nível psicológico de US$ 4.000, sobretudo se o petróleo continuar alimentando expectativas de inflação e os juros dos Treasuries permanecerem altos.
O ouro também pode ficar de lado entre US$ 4.040 e US$ 4.090 se a ata do Fed não alterar de forma relevante as expectativas para a política monetária (decisões de juros e liquidez). Nesse caso, dólar, juros dos Treasuries e petróleo tendem a seguir como os principais motores no curto prazo.
Aviso
Os níveis de preço e cenários acima refletem a visão do autor no momento da publicação e não são aconselhamento financeiro nem recomendação oficial da VT Markets. Faça sua própria análise e controle o risco com cuidado.
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O ouro segue no radar quando mudam as apostas para juros, o dólar oscila e há incerteza sobre inflação e crescimento.
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Isso pode ser útil em períodos de maior volatilidade macroeconômica (oscilações causadas por dados e decisões econômicas), especialmente quando dados de emprego, apostas para juros, rendimentos dos Treasuries e movimentos do dólar influenciam o XAUUSD.
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O que observar agora
O primeiro ponto é o tom da ata da reunião de junho do Federal Reserve.
Menções a inflação persistente, pressão de preços ligada à energia ou apoio a nova alta de juros podem voltar a pesar sobre o ouro. Já um foco maior em desaceleração do crescimento ou piora do emprego pode reduzir a expectativa de aperto e dar algum suporte.
O dólar e os juros dos Treasuries ajudam a mostrar como o mercado interpretou a ata. O ouro pode ter dificuldade para se recuperar se os dois continuarem subindo.
O petróleo é outra variável importante. Novas preocupações de oferta no Estreito de Hormuz (rota estratégica de transporte de petróleo) podem elevar a expectativa de inflação, mesmo com a incerteza geopolítica sustentando a busca por proteção.
No gráfico, o primeiro ponto é ver se US$ 4.040 segura como suporte. Se segurar, o XAUUSD pode tentar voltar para US$ 4.090–US$ 4.100. Se cair e permanecer abaixo de US$ 4.040, a atenção vai para o nível psicológico de US$ 4.000.
Perguntas frequentes
Por que o ouro subiu no começo do dia e depois caiu?
O ouro se recuperou de uma mínima de quase uma semana com operadores ajustando posições antes da ata do Fed. Depois, a alta perdeu força quando petróleo, juros dos Treasuries e dólar avançaram, aumentando o temor de inflação e de política monetária mais restritiva (juros mais altos para frear preços).
Como a ata do Fed pode afetar o XAUUSD?
A ata pode trazer mais detalhes sobre como os dirigentes avaliaram inflação, atividade econômica e a trajetória futura de juros. Uma leitura mais hawkish (mais dura, inclinada a juros altos) pode apoiar os rendimentos dos Treasuries e o dólar. Um tom menos hawkish pode aliviar parte da pressão sobre o ouro.
Por que juros mais altos dos Treasuries podem pesar no ouro?
O ouro não paga juros. Quando o rendimento de títulos do governo sobe, investimentos que pagam rendimento ficam mais atraentes, o que pode reduzir a procura por ativos sem rendimento, como o ouro.
A tensão geopolítica sempre faz o ouro subir?
Não. O risco geopolítico pode aumentar a demanda por proteção, mas também pode puxar o petróleo para cima e elevar a expectativa de inflação. Se o mercado reagir apostando em juros mais altos, a alta dos rendimentos dos Treasuries e o dólar mais forte podem compensar o apelo defensivo do ouro.
Quais são os principais níveis do XAUUSD para acompanhar?
O suporte imediato fica em torno de US$ 4.040, enquanto a primeira zona de recuperação está entre US$ 4.090 e US$ 4.100. Uma alta sustentada acima dessa faixa coloca US$ 4.128–US$ 4.150 em foco. Já uma perda de US$ 4.040 pode abrir espaço para o nível psicológico de US$ 4.000.
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