
Pontos-chave
- O ouro caiu abaixo de US$ 4.100 com a retomada de ataques entre EUA e Irã, que elevou o petróleo e reacendeu temores de inflação (alta generalizada de preços).
- O XAUUSD (cotação do ouro em dólar) operou perto de US$ 4.070 no gráfico diário, com queda de cerca de 1,2% na sessão.
- O petróleo mais caro sustentou o dólar, os juros dos Treasuries (títulos do governo dos EUA) e a expectativa de um Federal Reserve (banco central dos EUA) mais duro nos juros.
- O Estreito de Ormuz segue no radar porque uma interrupção no transporte marítimo pode pressionar ainda mais os preços da energia.
- No gráfico diário do XAUUSD, a primeira resistência (região onde o preço costuma parar de subir) está perto de US$ 4.120, e o primeiro suporte (região onde o preço costuma parar de cair) a monitorar é US$ 4.060.
O ouro caiu abaixo de US$ 4.100 por onça na segunda-feira, após novos confrontos militares entre Estados Unidos e Irã puxarem o petróleo para cima e reacenderem preocupações com a inflação (alta de preços).
O XAUUSD (preço do ouro em dólar) ficou perto de US$ 4.070 no gráfico diário fornecido, com queda de cerca de 1,2% na sessão. O movimento devolveu pressão ao ouro depois de o metal não conseguir se sustentar acima de US$ 4.100.
A queda mostra que tensão geopolítica nem sempre impulsiona o ouro de forma imediata. Nesta sessão, o mercado pareceu mais focado em como o petróleo mais caro pode afetar a inflação e a política do Federal Reserve (banco central dos EUA).
Com a alta do petróleo, o dólar e os juros dos Treasuries (títulos do governo dos EUA) também avançaram. Isso pressionou o ouro, que não paga juros, mesmo com a incerteza geopolítica elevada.
Por que o mercado acompanha o ouro
O ouro fica preso entre duas forças do mercado.
Riscos geopolíticos maiores podem aumentar a procura pelo ouro como proteção. Porém, o mesmo conflito também eleva o petróleo e reforça o temor de inflação (alta de preços).
Expectativas de inflação mais altas podem levar bancos centrais a manter juros elevados, ou até a considerar novas altas. Isso costuma fortalecer os juros dos títulos e o dólar, além de tornar menos atraente manter ouro, que não paga rendimento (não gera juros ou cupom).
Para quem opera XAUUSD, o ponto central não é apenas se a tensão vai aumentar. O mais importante pode ser como isso mexe com petróleo, expectativas de inflação, juros e dólar, definindo o rumo do ouro no curto prazo.
Risco de inflação volta ao centro
A inflação voltou ao radar após a nova alta do petróleo.
A última atualização de política monetária do Federal Reserve mostrou que a inflação subiu nos meses recentes, com preços pressionados por tarifas (impostos sobre importações), custos de energia ligados à guerra e demanda forte associada a investimentos em inteligência artificial.
Esse cenário ajuda a entender por que a alta do petróleo pressionou o ouro, em vez de gerar uma busca direta por “porto seguro” (ativo usado para proteção em momentos de risco).
Um choque prolongado de energia pode manter as expectativas de inflação elevadas e reduzir o espaço para juros menores. Isso pesa no ouro porque o metal não paga juros.
Se o mercado continuar apostando em um Fed mais rígido, o ouro tende a ficar mais sensível às variações do dólar e dos juros dos Treasuries.
Riscos no Estreito de Ormuz aumentam a incerteza
A pressão recente sobre o ouro também reflete a incerteza em torno do Estreito de Ormuz.
EUA e Irã trocaram novos ataques no fim de semana, e Teerã voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz seria fechado. A passagem é uma das rotas mais importantes para o transporte de energia no mundo, e qualquer interrupção pode afetar rapidamente o preço do petróleo e as expectativas de inflação.
Para o ouro, o efeito é misto. Um conflito maior pode aumentar a demanda defensiva, mas se a primeira reação do mercado for petróleo mais caro, inflação esperada mais alta e juros subindo, o metal pode cair.
Por isso, acompanhar dados confirmados de navegação é importante. O mercado vai observar se o fluxo pelo estreito segue normal ou se o risco começa a afetar o mercado físico (entregas e transporte reais) de energia.
Principais níveis
| Nível de preço | O que o mercado observa |
| US$ 4.200 | Região de recuperação mais ampla se a força compradora melhorar |
| US$ 4.160 | Resistência secundária acima da faixa atual |
| US$ 4.120 | Resistência imediata perto da máxima da última sessão |
| US$ 4.100 | Referência importante no curto prazo após a quebra do nível |
| US$ 4.070 | Região atual no gráfico |
| US$ 4.060 | Suporte imediato perto da mínima da última sessão |
| US$ 4.040 | Suporte de curto prazo se as vendas continuarem |
| US$ 4.000 | Suporte psicológico (número “redondo”, observado pelo mercado) |
| US$ 3.960 | Referência de queda mais profunda |
O gráfico diário do XAUUSD mostra o ouro perto de US$ 4.070 após abrir em torno de US$ 4.119,60. A máxima da sessão ficou perto de US$ 4.119,60, e a mínima em aproximadamente US$ 4.061,32.
A queda abaixo de US$ 4.100 mantém o quadro de curto prazo pressionado. Agora, esse nível é a principal referência para avaliar se o ouro consegue se estabilizar ou se segue vulnerável a novas vendas.
A resistência imediata está perto de US$ 4.120, alinhada à máxima da última sessão. Uma recuperação sustentada acima desse nível pode recolocar US$ 4.160 no radar.
Um avanço mais forte acima de US$ 4.160 direcionaria a atenção para a região de US$ 4.200.
Na queda, US$ 4.060 é o primeiro suporte a acompanhar. Um rompimento abaixo pode abrir espaço para US$ 4.040.
Cenários de alta e de baixa

| Estratégia | Gatilho | Possível reação do mercado |
| Tentativa de recuperação | Voltar a ficar acima de US$ 4.100 | Ouro pode retestar US$ 4.120 |
| Continuação de alta | Rompimento acima de US$ 4.120 | Movimento pode ir em direção a US$ 4.160 |
| Recuperação mais forte | Acima de US$ 4.160 | Região de US$ 4.200 volta ao radar |
| Suporte segurando | Manter acima de US$ 4.060 | Lateralização (preço andando de lado) pode seguir |
| Perda de força | Cair abaixo de US$ 4.060 | Ouro pode retestar US$ 4.040 |
| Extensão de baixa | Rompimento abaixo de US$ 4.040 | Vendas podem avançar em direção a US$ 4.000 |
| Queda mais profunda | Abaixo de US$ 4.000 | Região de US$ 3.960 entra no radar |
O cenário de alta depende de o ouro voltar para cima de US$ 4.100 e se manter nesse nível. Isso indicaria que a pressão vendedora começa a perder força após a queda.
Um rompimento confirmado acima de US$ 4.120 melhora o cenário de recuperação e coloca US$ 4.160 no foco. Se os compradores superarem essa região, o ouro pode tentar avançar para US$ 4.200.
O cenário neutro é uma consolidação (movimento de lado) acima de US$ 4.060, mas abaixo de US$ 4.100. Isso sugere que o mercado espera sinais mais claros do petróleo, dos juros dos EUA, do dólar e dos dados de inflação.
O cenário de baixa ganha força se o ouro cair abaixo de US$ 4.060. Um rompimento confirmado pode abrir espaço para US$ 4.040 e, depois, para a região psicológica de US$ 4.000.
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