O dólar canadense operou mais firme frente aos principais pares, com o USD/CAD recuando 0,26% para perto de 1,4160 durante o pregão europeu de quarta-feira. O movimento acompanhou a alta do petróleo após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o Memorando de Entendimento com o Irã havia acabado. Na mesma sessão, o WTI avançou mais de 2,23%, para aproximadamente US$ 73,6 e, após um salto anterior, acumulava alta superior a 7% na semana — um pano de fundo que tende a favorecer moedas ligadas a exportadores líquidos de petróleo.
As atenções agora se voltam para o relatório do mercado de trabalho do Canadá de junho, que sai na sexta-feira, com previsão de criação de 10 mil vagas, ante 87,8 mil em maio. Nos mercados globais, a alta do petróleo tem coincidido com demanda por ativos de refúgio, mantendo o Índice do Dólar (DXY) praticamente estável em torno de 101,00 após reduzir as perdas no início do dia. Os investidores também aguardam a ata do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) referente à reunião de junho, prevista para 18:00 GMT, em busca de sinais adicionais sobre a perspectiva de política monetária do Federal Reserve (Fed).
Rali do petróleo impulsiona força do dólar canadense
Vemos o dólar canadense se mantendo firme frente aos seus pares, tendo como principal motor a recente valorização do petróleo. Nesta terça-feira, 8 de julho de 2026, o petróleo West Texas Intermediate (WTI) é negociado com viés positivo ao redor de US$ 94,50 por barril, o maior nível em mais de um ano. Isso pressionou o USD/CAD para baixo, testando o suporte em 1,3650.
O avanço do petróleo se deve, em grande parte, ao retorno da disciplina de oferta da OPEP+ e às tensões geopolíticas no Oriente Médio, aumentando sua atratividade para exportadores líquidos de petróleo, como o Canadá. Os preços do petróleo subiram quase 6% nas últimas duas semanas, uma tendência que dá suporte direto ao valor do “loonie”. Historicamente, períodos de alta acelerada do petróleo, como no início de 2022, antecederam um fortalecimento relevante do CAD.
Divergência entre bancos centrais e volatilidade do mercado
No entanto, também é preciso acompanhar a divergência de política entre bancos centrais, que vem criando um fator de pressão contrário. Comentários recentes mais duros (hawkish) por parte do Federal Reserve mantêm o Índice do Dólar (DXY) elevado perto de 105,00. Isso gera um “cabo de guerra” para o par USD/CAD, em que a força do CAD vinda do petróleo encontra a força ampla do dólar americano.
Adiante, o principal evento será a decisão de juros do Banco do Canadá (BoC) em 15 de julho. Embora preços elevados de energia normalmente favoreçam uma alta de juros, dados recentes mostrando que o crescimento do PIB canadense no 2º trimestre foi revisado para baixo, para 1,8%, podem dar ao banco um motivo para pausar. No momento, o mercado precifica apenas 25% de chance de aumento de juros na próxima semana.
Essa incerteza entre commodities fortes e uma política monetária mais cautelosa sugere que a volatilidade tende a aumentar. Avaliamos estratégias que se beneficiem de um movimento amplo de preço, independentemente da direção, como straddles comprados em opções de USD/CAD com vencimento após o anúncio do BoC. Essa abordagem permite capturar a oscilação esperada sem apostar em um resultado específico.
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