O ouro era negociado em torno de US$ 4.150 na segunda-feira, após ter passado brevemente de US$ 4.200 na Ásia, consolidando-se depois da recuperação da semana passada a partir de uma mínima de mais de sete meses em US$ 3.941. Um dólar americano mais firme e uma leve realização de lucros limitaram o metal, mesmo com dados mais fracos do payroll (Nonfarm Payrolls) dos EUA reduzindo as expectativas de uma alta imediata de juros pelo Federal Reserve. As preocupações inflacionárias ligadas ao petróleo também diminuíram à medida que o tráfego marítimo pelo Estreito de Hormuz melhorou após um Memorando de Entendimento de 60 dias entre Estados Unidos e Irã, embora a ausência de um acordo final tenha deixado em aberto a gestão futura da via.
Os mercados ainda esperam que a política restritiva persista até a inflação arrefecer, com a ferramenta CME FedWatch indicando 56% de chance de alta em setembro. O índice do dólar (DXY) estava em torno de 100,00, alta de 0,10%, o que adiciona pressão ao elevar o custo do ouro para compradores fora do dólar, enquanto juros mais altos pesam sobre ativos sem rendimento. Os dados dos EUA seguem no radar: o ISM de Serviços (PMI) veio em 54,0 em junho, em linha com as projeções e marcando o 23º mês de expansão, embora abaixo de 54,5 em maio. No técnico, o XAU/USD está próximo da média móvel simples (SMA) de 20 dias em US$ 4.146,96, com o RSI por volta de 46 e o MACD positivo; o suporte fica perto de US$ 4.147 e US$ 4.000, depois em US$ 3.948, enquanto a resistência está próxima de US$ 4.347.
Ouro segue lateralizado com Fed e dólar ditando o mercado
Estamos vendo o ouro preso em uma faixa estreita, e esse padrão deve continuar nas próximas semanas. O mercado pondera a possibilidade de um Federal Reserve menos agressivo diante de um dólar americano ainda forte. Isso cria um ambiente desafiador para apostas direcionais mais claras.
A última leitura do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA de junho ficou em 3,1%, mostrando que a inflação está desacelerando, mas permanece teimosamente acima da meta de 2% do Fed. Enquanto isso, os pedidos semanais de auxílio-desemprego têm oscilado de forma consistente em torno de 240 mil, indicando um mercado de trabalho resiliente o suficiente para o Fed manter sua postura restritiva. Com 56% de chance de alta em setembro já precificada, o caminho de menor resistência para o ouro ainda não está claro.
Estratégias com opções e catalisadores-chave a monitorar
Diante dessa incerteza, acreditamos que vender opções para capturar prêmio é uma estratégia atraente. Um iron condor em futuros de ouro ou ETFs relacionados, com strikes definidos fora da faixa recente de US$ 3.950 a US$ 4.350, pode se beneficiar caso o preço permaneça contido. Essa abordagem permite lucrar com o decaimento do tempo, desde que um catalisador relevante não provoque um rompimento.
No entanto, é preciso estar preparado para um salto na volatilidade, especialmente por riscos geopolíticos. As negociações em curso com o Irã sobre o Estreito de Hormuz são uma variável-chave, já que qualquer ruptura nas conversas pode rapidamente levar os traders de volta a ativos de proteção, como o ouro. Historicamente, tensões nessa região geram choques imediatos de preços, o que torna estratégias de compra de volatilidade, como straddles, uma possível proteção em torno de prazos importantes das negociações.
A divulgação da ata da reunião do FOMC na quarta-feira será um evento crítico para o posicionamento de curto prazo. Buscaremos qualquer mudança de tom por parte dos formuladores de política que possa alterar as probabilidades de alta de juros. Traders podem considerar a compra de opções de curto prazo (calls ou puts) antes da divulgação para capturar qualquer reação imediata do mercado.
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