
Pontos-chave
- O petróleo Brent operou perto de US$ 72 por barril, próximo do menor nível desde o fim de fevereiro.
- Sete países da Opep+ (aliança da Opep com produtores como a Rússia) concordaram em elevar as metas conjuntas de produção em 188 mil barris por dia a partir de agosto.
- Foi o quinto aumento mensal seguido. Desde abril, as metas somam quase 800 mil barris por dia a mais.
- A retomada das exportações no Golfo e a alta da produção da Opep reforçaram a expectativa de mais oferta física (petróleo de fato chegando ao mercado).
- No gráfico diário do UKOUSD (referência do Brent em dólar), o suporte imediato fica perto de US$ 71,70 e a primeira resistência a observar é US$ 72,60.
O Brent seguiu pressionado na segunda-feira, perto de US$ 72 por barril e próximo do menor nível desde o fim de fevereiro, após a Opep+ aprovar mais um aumento de metas de produção e com as exportações do Golfo Pérsico continuando a se normalizar.
A queda mostra que o mercado tem dado menos peso ao risco de interrupções imediatas na oferta. Com o transporte marítimo melhorando, a atenção passa a ser se a demanda global consegue absorver o volume extra de petróleo.
O Brent também caiu abaixo do nível do fim de fevereiro, antes da guerra, devolvendo boa parte do prêmio de risco geopolítico (valor extra no preço por medo de conflito e falta de oferta) que chegou a levar a cotação acima de US$ 120.
Por que o mercado está atento
A decisão mais recente da Opep+ reforçou a expectativa de que mais petróleo pode chegar ao mercado nos próximos meses.
Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã concordaram em elevar as metas conjuntas de produção em 188 mil barris por dia a partir de agosto. O ajuste dá continuidade à reversão gradual dos cortes voluntários anunciados em 2023 (reduções feitas por decisão dos países, não por obrigação).
A alta de agosto será a quinta seguida. Somadas, as elevações de metas desde abril chegam a quase 800 mil barris por dia, embora a produção e as exportações reais tenham ficado abaixo das metas no papel (o número anunciado, mas ainda não entregue).
A Opep+ disse que seguirá avaliando as condições do mercado e manterá flexibilidade para aumentar, pausar ou reverter o fim dos ajustes voluntários. Os sete países voltam a se reunir em 2 de agosto.
Assim, o aumento anunciado pode ter efeito limitado no curto prazo se os produtores não conseguirem entregar os barris extras. Ainda assim, a normalização do transporte marítimo torna mais provável que metas maiores virem mais oferta física ao longo do tempo.
Retomada das exportações do Golfo aumenta a preocupação com oferta
As exportações de petróleo do Oriente Médio seguem se recuperando, à medida que os produtores retomam a produção e escoam volumes que ficaram acumulados durante a interrupção.
A produção da Opep subiu cerca de 3,3 milhões de barris por dia em junho, para 19,43 milhões de barris por dia, com produtores do Golfo recompondo a oferta afetada pelo conflito. As exportações do Golfo também passaram de 10 milhões de barris por dia, mas ainda ficaram cerca de 40% abaixo do nível anterior à guerra.
Antes do conflito, o Estreito de Ormuz respondia por cerca de um quinto do transporte global de petróleo e GNL (gás natural liquefeito, resfriado para virar líquido e facilitar o transporte). A reabertura gradual tem permitido a chegada de cargas atrasadas e reduziu o temor de falta imediata.
A recuperação da oferta ainda não terminou. Em junho, as exportações do Oriente Médio ficaram bem abaixo da média anterior ao conflito, indicando que ainda pode voltar um volume relevante se a rota seguir estável.
As importações chinesas fracas também aumentaram a pressão. As compras da China por via marítima caíram para o menor nível em mais de dez anos em junho, enquanto exportações maiores da Rússia e de outros fornecedores fora do Oriente Médio elevaram a disputa por compradores.
A questão central não é só quanto a Opep+ eleva as metas, mas com que velocidade os produtores entregam esses barris e se a demanda é forte o suficiente para absorvê-los.
Principais níveis para negociação
| Nível | O que o mercado observa |
|---|---|
| US$ 80,00 | Resistência psicológica (nível “redondo”) e antiga área de estabilidade de preços |
| US$ 77,50 | Resistência mais ampla após a queda do fim de junho |
| US$ 75,00 | Nível importante numa recuperação e antigo suporte (piso) do preço |
| US$ 72,60 | Resistência imediata perto da máxima da última sessão |
| US$ 71,90 | Região onde o preço está sendo negociado agora |
| US$ 71,70 | Suporte imediato perto da mínima da última sessão |
| US$ 70,00 | Suporte psicológico importante |
| US$ 67,50 | Referência mais abaixo se a venda acelerar |
O UKOUSD é negociado perto de US$ 71,90, entre o suporte imediato em torno de US$ 71,70 e a resistência perto de US$ 72,60.
Se o preço subir e se mantiver acima de US$ 72,60, a pressão vendedora no curto prazo pode diminuir e o mercado pode mirar US$ 75,00. Ainda assim, a tendência de baixa (movimento predominante de queda) só perde força se o UKOUSD romper e sustentar acima de US$ 75,00.
Se passar desse nível, a atenção pode migrar para US$ 77,50 e depois para a região psicológica de US$ 80,00.
Na queda, perder US$ 71,70 pode abrir caminho para US$ 70,00. Se esse nível também ceder, a próxima referência mais abaixo fica perto de US$ 67,50.
Cenários de alta e de baixa

| Cenário | Gatilho | Possível reação do mercado |
| Tentativa de recuperação | Subir acima de US$ 72,60 | O UKOUSD pode avançar em direção a US$ 75,00 |
| Continuação da alta | Romper acima de US$ 75,00 | O foco pode ir para US$ 77,50 a US$ 80,00 |
| Consolidação em faixa | Ficar entre US$ 71,70 e US$ 72,60 | O preço pode ficar mais estável perto das mínimas recentes |
| Continuação da queda | Romper abaixo de US$ 71,70 | O UKOUSD pode testar US$ 70,00 |
| Queda mais forte | Cair abaixo de US$ 70,00 | A baixa pode se estender até US$ 67,50 |
No cenário de alta, o UKOUSD precisa superar US$ 72,60 e sustentar esse patamar. Isso sinaliza que a pressão vendedora de curto prazo está perdendo força após a queda recente.
Uma recuperação mais consistente exige rompimento acima de US$ 75,00. Se os compradores conseguirem passar desse ponto, o UKOUSD pode buscar US$ 77,50 e, depois, uma resistência mais ampla perto de US$ 80,00.
No cenário neutro, o preço fica “de lado” entre US$ 71,70 e US$ 72,60. Essa negociação em faixa perto das mínimas recentes pode indicar que o mercado está tentando entender se as novas metas de produção e a retomada das exportações do Golfo já foram incorporadas aos preços.
No cenário de baixa, a situação piora se o UKOUSD cair abaixo de US$ 71,70. Um rompimento confirmado pode colocar US$ 70,00 no radar. Se US$ 70,00 também for perdido, a queda pode ir até US$ 67,50.
Aviso
Os níveis de preço e cenários acima refletem a visão do autor no momento da publicação e não são aconselhamento financeiro nem recomendação oficial da VT Markets. Faça sua própria análise e cuide do risco.
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O que observar a seguir
O mercado deve acompanhar se o aumento de agosto na Opep+ se traduz em alta relevante da produção e das exportações de fato.
O fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz seguirá importante. Se a normalização continuar, mais cargas atrasadas podem chegar aos compradores, reforçando a visão de excesso de oferta (mais petróleo disponível do que a demanda).
As importações chinesas também estarão no radar. Se as compras reagirem, podem ajudar a absorver a oferta extra; se continuarem fracas, podem pressionar os preços.
Dados de estoques nos EUA, exportações russas e produção dos principais países do Golfo Pérsico devem trazer novas pistas sobre o equilíbrio no curto prazo entre oferta e demanda.
A próxima reunião da Opep+ em 2 de agosto também pode mexer com as expectativas. O grupo mantém a opção de aumentar, pausar ou reverter os ajustes de produção.
Por enquanto, a faixa principal de curto prazo do UKOUSD está entre US$ 71,70 e US$ 72,60. Um movimento confirmado acima de US$ 72,60 pode levar o mercado a mirar US$ 75,00, enquanto uma queda abaixo de US$ 71,70 pode abrir espaço para US$ 70,00.
Perguntas frequentes
Por que o Brent está caindo?
O Brent caiu após a Opep+ aprovar metas maiores de produção, enquanto as exportações do Golfo Pérsico continuaram se recuperando. Importações fracas da China e maior oferta de outros produtores também aumentaram o risco de excesso de oferta.
O que a Opep+ anunciou?
Sete países da Opep+ concordaram em elevar as metas conjuntas de produção em 188 mil barris por dia a partir de agosto. O aumento faz parte do desmonte gradual dos cortes voluntários adotados em 2023.
O aumento da Opep+ vai adicionar imediatamente 188 mil barris por dia?
Não necessariamente. Alguns produtores ainda estão abaixo das metas porque a produção e o transporte marítimo não se normalizaram totalmente. O impacto depende de quanto petróleo extra será realmente produzido e exportado.
Por que o Estreito de Ormuz afeta o preço do petróleo?
O estreito é uma das rotas mais importantes do mundo para energia. Interrupções podem reduzir a oferta global de petróleo e gás, enquanto a retomada do tráfego permite que mais petróleo chegue ao mercado e pode pressionar os preços para baixo.
Quais são os principais níveis para acompanhar no UKOUSD?
O suporte imediato está perto de US$ 71,70, seguido por US$ 70,00 e US$ 67,50. A resistência imediata está perto de US$ 72,60, seguida por US$ 75,00 e US$ 77,50.
O Brent pode se recuperar?
O Brent pode reagir se o risco geopolítico aumentar, se a demanda melhorar ou se os produtores não entregarem a alta esperada da oferta física. No gráfico do UKOUSD, manter-se acima de US$ 72,60 seria o primeiro sinal de alívio da pressão vendedora no curto prazo.
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