USD/JPY ampliou os ganhos pelo segundo dia, sendo negociado perto de 161,70 nas horas asiáticas, à medida que o iene enfraqueceu diante de custos mais altos de importação, mesmo com o rendimento do JGB de 10 anos do Japão subindo para uma nova máxima de 30 anos, em 2,79%. O dólar permaneceu firme, com os mercados continuando a antecipar múltiplas elevações de juros pelo Federal Reserve ainda neste ano, apesar do alívio nas preocupações com a inflação ligado à normalização dos fluxos de petróleo pelo Estreito de Ormuz. A ferramenta CME FedWatch indicou a probabilidade de altas de juros até o fim do ano em 77,3%, e a atenção se volta para a divulgação, na quarta-feira, da ata da reunião de política monetária de junho do Fed.
Dados dos EUA têm influenciado as expectativas de juros: o relatório de Payroll (empregos fora do setor agrícola) mostrou a criação de 57.000 vagas no mês passado, ante previsão de 110.000. Ainda assim, a taxa de desemprego recuou para 4,2%, de 4,3% em maio. Separadamente, o presidente do Fed reiterou o compromisso do banco central com a meta de estabilidade de preços de 2% e afirmou que os riscos e as expectativas de inflação começaram a moderar no último mês. O pano de fundo mais amplo segue condicionado pela política do Banco do Japão e pelos diferenciais de rendimento: as condições ultraacomodatícias de 2013 a 2024 pressionaram o iene, enquanto o processo de normalização pós-2024 e os cortes em outros países reduziram o diferencial entre os juros de 10 anos EUA–Japão.
Diferenciais de Juros e Expectativas de Política Impulsionam USD/JPY
Vemos o par USD/JPY testando máximas de várias décadas em torno de 161,70, um nível que apresenta risco significativo. Isso é impulsionado principalmente pela expectativa de que o Federal Reserve continue a elevar os juros, enquanto o Banco do Japão fica para trás. Esse diferencial de taxas continua sendo o principal motor da alta do par.
Nesses níveis, é preciso extrema cautela com uma eventual intervenção das autoridades japonesas para fortalecer sua moeda. Historicamente, o Ministério das Finanças do Japão entrou no mercado para comprar ienes quando o dólar sobe acima da faixa de 155–160, como ocorreu várias vezes em 2024. O alto custo atual das importações adiciona pressão política relevante para que atuem.
O mercado precifica uma probabilidade de 77,3% de altas de juros do Fed até o fim do ano, o que sustenta o dólar forte. No entanto, o relatório recente de emprego nos EUA mostrou uma criação decepcionante de apenas 57.000 vagas, bem abaixo das 110.000 esperadas. Esses dados fracos contradizem diretamente a narrativa de que a economia dos EUA estaria forte o suficiente para suportar múltiplas altas adicionais de juros.
Posicionamento Estratégico e Riscos de Eventos à Frente
Diante desse conflito entre a precificação do mercado e os dados econômicos, consideramos que comprar calls de JPY (ou puts de USD/JPY) é uma estratégia prudente. Isso permite posicionamento para uma possível queda acentuada do par, seja por uma intervenção surpresa do Banco do Japão, seja por sinalização do Fed de uma pausa. Esperamos que a volatilidade implícita aumente nas próximas semanas, tornando opções uma ferramenta atrativa.
Nosso foco imediato é a divulgação, nesta quarta-feira, da ata da reunião de junho do Fed. Vamos analisar o texto em busca de sinais de maior preocupação entre os dirigentes com a desaceleração da economia. Os próximos relatórios de inflação nos EUA também serão decisivos para determinar se as pressões de preços arrefeceram o suficiente para o Fed mudar de rumo.
Também é preciso considerar o papel tradicional do iene como ativo de porto seguro. Se o fraco relatório de emprego dos EUA sinalizar o início de uma desaceleração econômica global mais ampla, o capital pode migrar rapidamente para o iene em busca de segurança. Isso levaria o USD/JPY a cair, independentemente de qualquer ação direta de bancos centrais.
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