O dólar americano recuou frente a seus principais pares antes do relatório de Emprego (Nonfarm Payrolls) dos EUA de junho, previsto para 12:30 GMT. O Índice do Dólar (DXY), que acompanha a moeda contra seis divisas fortes, caía 0,4%, para perto de 101,00. As projeções apontam para a criação de 110 mil vagas em junho, ante 172 mil em maio, enquanto a taxa de desemprego é vista estável em 4,3%. O mercado também acompanha os Ganhos Médios por Hora, esperados em 3,5% na comparação anual (YoY), contra 3,4% anteriormente, e em alta de 0,3% no mês.
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, reiterou que a inflação continua “alta demais” e voltou a destacar a resistência do Fed a oferecer guidance (orientação futura), segundo a transcrição de sua coletiva de imprensa de junho. Separadamente, análises de discurso atribuíram a ele uma pontuação de 5,6/10 no FXS Speechtracker, enquanto o FXS Fed Sentiment Index ficou inalterado, recuando 0,00 ponto para 123,64; a leitura segue acima de 100. As atualizações mantêm o dólar sensível aos dados de emprego e inflação que serão divulgados, com a comunicação de política monetária ancorada na meta de inflação de 2% e em uma abordagem flexível e dependente de dados.
—Sensibilidade do dólar antes do relatório de Nonfarm Payrolls
Estamos vendo o dólar americano enfraquecer antes do relatório crucial de Nonfarm Payrolls, com o DXY negociando perto de 101,00. O mercado prende a respiração por esses dados porque o Federal Reserve declarou explicitamente que não fornecerá orientação futura. Isso faz de cada divulgação relevante um potencial ponto de inflexão para a política monetária e para a direção do dólar.
A principal tensão no relatório é a previsão de desaceleração na criação de empregos, para 110 mil, versus aceleração do crescimento anual dos salários, para 3,5%. Diante dos alertas recentes do presidente do Fed, Warsh, de que a inflação está “alta demais”, acreditamos que o mercado reagirá com mais força aos números de salários. Um dado forte de salários reforçará a postura hawkish do Fed, ofuscando uma eventual pequena frustração no número cheio de empregos.
Esse Fed dependente de dados deixa o dólar extremamente sensível a surpresas, já que não há um caminho de política pré-determinado. O próprio índice de sentimento do Fed permanece firmemente em território hawkish, sugerindo uma barra alta para qualquer guinada dovish. Portanto, esperamos uma reação significativa a qualquer desvio das estimativas do NFP, especialmente nos dados de remuneração.
—Aumento da volatilidade e estratégias de negociação em meio à incerteza sobre o Fed
Observando dados recentes, vemos que o núcleo do CPI de maio veio “grudento” em 3,6%, justificando as persistentes preocupações do Fed com a inflação. O mercado já precifica uma probabilidade de 65% de alta de juros na próxima reunião, segundo a ferramenta CME FedWatch. Um número forte de crescimento salarial amanhã quase certamente consolidaria essa alta e poderia até elevar as apostas em um aperto adicional.
Para traders, essa incerteza cria uma oportunidade privilegiada para estratégias de volatilidade nas próximas semanas. Acreditamos que o uso de opções para montar posições compradas em straddles ou strangles em pares como EUR/USD é a abordagem mais prudente. Isso permite lucrar com um grande movimento de preço em qualquer direção, sem precisar “adivinhar” o resultado dos dados de emprego.
Historicamente, vimos esse roteiro funcionar em períodos de elevada incerteza sobre o Fed. Por exemplo, após a surpresa positiva do NFP em fevereiro de 2026, o DXY avançou mais de 1% em uma única sessão, à medida que as probabilidades de alta de juros dispararam. Esperamos uma magnitude semelhante de ação de preços se os dados de salários de amanhã vierem significativamente acima do esperado.
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