O National Bank of Canada afirmou que as expectativas de crescimento dos EUA seguem robustas, com o PIB projetado para avançar acima de 2% em 2026, mas o pano de fundo inflacionário é visto como menos benigno. A inflação cheia deve convergir para 2% em meados de 2027, enquanto a inflação subjacente é considerada mais persistente.
O Federal Reserve é descrito como priorizando a estabilidade de preços, e os formuladores de política são retratados como divididos, com cerca de metade defendendo uma postura mais restritiva. Ainda assim, o sentimento de mercado entre economistas permanece cético quanto a um aperto adicional: apenas 10% dos previsionistas esperam uma alta de juros do Fed em 2026, e esse grupo continua menor do que o dos que projetam cortes.
Tração Econômica e Inflação Persistente
Estamos diante de um mercado em que a economia está indo bem, mas a inflação não colabora. A revisão final do PIB do 1º trimestre de 2026 acaba de ser elevada para 2,4%, confirmando a tração subjacente da atividade que sustenta os lucros corporativos. Essa força, porém, é justamente o que provavelmente mantém a inflação subjacente “grudada” em níveis altos e o Federal Reserve em estado de alerta.
A leitura mais recente do núcleo do PCE (Core PCE) de maio de 2026 veio em 2,9%, teimosamente acima da meta do Fed e frustrando as esperanças de um corte de juros no curto prazo. Isso cria um descompasso relevante entre um mercado que ainda precifica pelo menos um corte até o fim do ano e um Fed dependente dos dados, que pode ser forçado a manter a taxa estável. Essa incerteza sugere considerar a compra de volatilidade via opções sobre os principais índices.
Posicionamento Estratégico e Expectativas de Política
Dado o foco do Fed na estabilidade de preços, vemos valor em derivativos que apostem em juros mais altos por mais tempo. Opções sobre futuros de SOFR (Secured Overnight Financing Rate) podem ser usadas para se posicionar para um Fed que não corte os juros como o esperado no segundo semestre de 2026. A situação lembra o período de 2023-2024, quando os mercados precificavam cortes de forma recorrente que o Fed hesitava em entregar.
Esse ambiente também aponta para potencial fortalecimento do dólar americano, à medida que um Fed mais “hawkish” se destaca frente a outros bancos centrais. Na semana passada, o diretor do Fed Christopher Waller reiterou a necessidade de observar “vários meses consecutivos” de dados de inflação caminhando de forma sustentável para 2% antes de considerar qualquer flexibilização. Podemos expressar essa visão comprando opções de compra (calls) sobre o índice do dólar (DXY), antecipando que a moeda se valorize se o Fed se mantiver firme.
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