O HSBC vê a libra esterlina enfrentando maior risco de queda após a renúncia do primeiro-ministro Starmer ter voltado as atenções para a disputa pela liderança no Reino Unido e para a orientação de política econômica do próximo premiê. Os candidatos devem se declarar até 9 de julho, enquanto um cenário em que Andy Burnham permaneça sem concorrência — com base em dados do Polymarket datados de 22 de junho — poderia resultar em uma transição rápida, com ele no cargo já em 16 de julho.
O banco também aponta para um enfraquecimento do pano de fundo macroeconômico. Os diferenciais de juros de 2 anos entre Reino Unido e EUA se comprimiram de cerca de 66 pb em abril para aproximadamente 0 pb, reduzindo o suporte de carrego para a libra; o HSBC relaciona o movimento à guinada mais hawkish do Federal Reserve em 17 de junho e às expectativas de que o Banco da Inglaterra mantenha a Bank Rate em 3,75% até o fim do ano. Separadamente, a “ótica” fiscal é descrita como piorando, com o endividamento do governo superando a projeção do Office for Budget Responsibility pelo segundo mês consecutivo, adicionando pressão sobre a moeda nos próximos meses.
—Incerteza Política e Riscos de Baixa para a Moeda
Diante da incerteza política e do enfraquecimento dos dados econômicos, vemos a libra esterlina mais exposta a riscos de baixa nas próximas semanas. A disputa pela liderança, que não terá candidatos oficialmente declarados até 9 de julho, cria um vácuo que está pesando sobre a moeda. O par GBP/USD já recuou abaixo de 1,2520 nas negociações recentes, mostrando sinais dessa pressão.
Esse período de transição política está elevando a incerteza, o que pode ser observado no mercado de opções. A volatilidade implícita da libra aumentou, sugerindo que os traders estão se preparando para oscilações maiores de preços. Isso torna este um momento crítico para revisar e posicionar nossos portfólios de derivativos de acordo.
—Pressões Macro e Fiscais Influenciam Estratégias de Câmbio
O ambiente macroeconômico deixou de oferecer suporte à libra, já que o diferencial de juros de dois anos entre Reino Unido e EUA desabou para perto de zero. Isso corrói a vantagem de carrego que antes atraía capital, especialmente porque os dados mais recentes de payroll (emprego) nos EUA mostraram a criação robusta de 250 mil vagas, consolidando expectativas de um Federal Reserve mais hawkish. Enquanto isso, espera-se que o Banco da Inglaterra mantenha a taxa em 3,75%, sem oferecer novo incentivo para compradores de GBP.
Além disso, a situação fiscal do Reino Unido está se deteriorando, adicionando outra camada de preocupação para a moeda. O endividamento do governo em maio ficou em £20 bilhões, superando de forma significativa a previsão do Office for Budget Responsibility pelo segundo mês consecutivo. Isso traz de volta memórias da forte liquidação de ativos do Reino Unido após a crise do mini-orçamento de 2022, quando os mercados puniram a percepção de irresponsabilidade fiscal.
Nesse ambiente, estamos avaliando estratégias que se beneficiem de uma potencial queda da libra. Acreditamos que comprar opções de venda (puts) de GBP/USD com vencimentos no fim de julho ou em agosto é uma forma prudente de se posicionar para mais fraqueza. Essa abordagem permite capturar tanto um câmbio em queda quanto os níveis atualmente elevados de volatilidade implícita.
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