A Axios, citando um funcionário, informou que os EUA e o Irã concordaram em suspender por mais de três dias ataques retaliatórios dentro e nos arredores do Estreito de Hormuz e em retomar conversas técnicas na terça-feira, no Catar. Esforços anteriores para encerrar a guerra dos EUA com o Irã teriam emperrado depois que os EUA atingiram alvos militares iranianos, após os mais recentes ataques de Teerã contra a navegação no Estreito.
A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter destruído oito instalações militares dos EUA no Kuwait e no Bahrein em resposta a recentes ataques americanos contra estruturas iranianas, enquanto Washington disse que uma onda de drones e mísseis iranianos no fim do sábado não atingiu os alvos pretendidos. O chanceler iraniano Abbas Araghchi declarou que o Estreito de Hormuz permaneceria sob total controle iraniano pelos próximos 30 dias, enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o Irã de violar um memorando de entendimento e ameaçou novas ações militares. Os mercados abriram a segunda-feira em modo “risk-off”, impulsionando o Índice do Dólar (DXY) e o petróleo WTI.
Volatilidade do mercado e posicionamento tático
Com as conversas no Catar marcadas para esta terça-feira, a situação segue extremamente frágil. Vemos isso como um sinal claro para comprar volatilidade, já que qualquer manchete negativa pode provocar oscilações significativas de preço. Por isso, estamos aumentando nossas posições compradas em opções de compra (calls) do VIX, antecipando que o índice, que tem oscilado perto de 14, pode facilmente saltar para acima de 20, como ocorreu em episódios geopolíticos semelhantes no início de 2020.
A ameaça direta ao Estreito de Hormuz — por onde transita quase um quinto da oferta diária mundial de petróleo — coloca o petróleo no centro das atenções. Estamos comprando calls de curto prazo de WTI e Brent para capturar um potencial choque de oferta caso as negociações fracassem. Historicamente, incidentes nessa região provocaram altas imediatas, como o salto de 14% em um único dia após os ataques de 2019 a instalações sauditas.
Fluxos para ativos de refúgio, hedge em ações e perspectiva estratégica
Essa incerteza está impulsionando uma busca por segurança, fortalecendo o dólar americano. Estamos nos posicionando para o DXY testar suas máximas recentes, à medida que o capital migra para ativos denominados em dólares. Esse movimento é consistente com períodos de “risk-off”, nos quais o dólar atua como a principal moeda de refúgio.
O mercado acionário mais amplo está vulnerável à alta dos custos de energia e ao risco geopolítico. Estamos protegendo nossas carteiras compradas por meio da compra de opções de venda (puts) no S&P 500 e avaliando de forma seletiva opções de compra (calls) em ETFs do setor de defesa. Ações de companhias aéreas e de industriais sensíveis ao preço do combustível tendem a ficar para trás nesse ambiente.
Nas próximas semanas, nossa estratégia será definida pela janela de 30 dias mencionada pelo Irã. Estamos utilizando estruturas com spreads de opções para delimitar o risco, já que a volatilidade implícita elevada torna a simples compra de opções mais cara. Isso nos permite manter exposição ao potencial de alta em energia, ao mesmo tempo em que limita perdas caso seja encontrada uma solução diplomática duradoura.
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