Conflito no Oriente Médio e impacto no mercado de energia
A agência afirmou que o conflito no Oriente Médio está afetando os mercados globais de energia. Acrescentou que a Ásia é a região mais afetada por interrupções no fornecimento de gás. O anúncio veio depois de sinais anteriores de alguns governos sobre liberar reservas. O Japão disse que poderia começar a liberar reservas de petróleo já em 16 de março, e a Alemanha também indicou que liberaria parte de suas reservas. O petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) foi negociado perto de US$ 85,30 na quarta-feira. Desde o início da sessão europeia, variou entre US$ 82 e US$ 88, sem direção clara. Com a maior liberação coordenada de reservas já anunciada, a reação inicial tende a ser se preparar para pressão de queda no preço do petróleo bruto (petróleo sem refino). Esse volume de 400 milhões de barris é um choque importante de oferta (entrada repentina de produto no mercado), o que favorece posições de queda (“bearish”, aposta em baixa), como comprar opções de venda (put; contrato que pode ganhar valor quando o preço cai) no WTI ou vender contratos futuros do mês mais próximo (acordo para comprar/vender no futuro, com vencimento próximo). A estabilidade do mercado perto de US$ 85 sugere que ele pode estar subestimando o impacto dessa oferta extra chegando ao mercado nas próximas semanas.Possíveis abordagens de negociação com maior incerteza
Porém, é preciso lembrar o que aconteceu em 2022, quando foi anunciada uma grande liberação estratégica para reduzir os efeitos do conflito na Ucrânia. Embora os preços tenham caído no começo, as tensões geopolíticas (conflitos entre países que afetam comércio e segurança) e a demanda forte fizeram os preços subirem de novo em alguns meses. Aquela liberação apenas segurou os preços por um tempo, não foi uma solução duradoura — algo que pode se repetir agora. Dados recentes reforçam a ideia de que os fundamentos (fatores reais de oferta e demanda) continuam fortes, o que pode limitar a queda. O relatório mais recente da Energy Information Administration (EIA, órgão do governo dos EUA que divulga dados de energia) mostrou que a demanda global de petróleo para 2026 foi revisada para cima em 1,9 milhão de barris por dia, citando consumo forte na Ásia. Além disso, os estoques comerciais de petróleo bruto dos EUA (petróleo guardado por empresas, não por reservas estratégicas) tiveram uma queda inesperada de 2,1 milhões de barris na semana passada, indicando que o mercado já está apertado (pouca oferta disponível) mesmo antes de considerar os problemas de fornecimento causados pelo conflito. Isso cria um ambiente de grande incerteza, o que aponta para alta da volatilidade (oscilações fortes de preço). O índice CBOE Crude Oil Volatility Index (OVX, indicador de expectativa de oscilação do preço do petróleo implícita nas opções) está perto de 42, um nível relativamente alto que mostra nervosismo. Isso sugere que estratégias que ganham com grandes oscilações, como straddle comprado (compra de call e put ao mesmo tempo, no mesmo preço de exercício, para lucrar se o preço subir ou cair bastante) ou strangle comprado (compra de call e put com preços de exercício diferentes, também para lucrar com grande movimento), podem funcionar tanto se o preço cair abaixo de US$ 80 quanto se subir acima de US$ 90. Como a liberação será feita em etapas, uma estratégia por tempo usando “calendar spreads” (montagem com contratos de vencimentos diferentes para aproveitar mudanças entre curto e longo prazo) também pode ser interessante. Podemos ver contratos de curto prazo, como os de entrega em maio, enfraquecerem bastante, enquanto contratos mais longos, como setembro ou dezembro, ficam mais firmes. Um operador pode considerar comprar opções de compra (call; contrato que pode ganhar valor quando o preço sobe) para dezembro de 2026 e vender calls de maio de 2026 para tentar aproveitar o achatamento da curva (quando a diferença de preço entre vencimentos diminui).
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