Percepção da inflação e preços do dia a dia
As preocupações com o custo de vida nos EUA estão ligadas a como as pessoas percebem a inflação, algo influenciado por compras frequentes do dia a dia. Mudanças de preço em itens comprados com frequência podem afetar mais essa percepção do que gastos menos comuns. Uma alta de quase 27% no preço da gasolina desde as mínimas de janeiro não vai aparecer nos números do CPI de fevereiro. Mesmo assim, os consumidores podem notar preços mais altos em alguns itens específicos do supermercado. Os dados mais recentes de inflação de fevereiro de 2026 sugerem que as pressões de preços subjacentes estão diminuindo, o que é importante para a política econômica. O núcleo do CPI (core CPI, a inflação que exclui itens muito instáveis como alimentos e energia para mostrar melhor a tendência) caiu para 2,8% ao ano, dando ao Fed espaço para ter calma. Isso pode levar traders a precificar um caminho menos agressivo para os juros usando opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço definido) sobre futuros de SOFR (taxa de referência de juros de curto prazo nos EUA). Acreditamos que o Fed não vai reagir a choques específicos de oferta (problemas que reduzem a disponibilidade de um produto), como as tensões no Estreito de Hormuz que mantêm o petróleo acima de US$ 85 por barril. O Fed não tem ferramentas para resolver esse tipo de problema, então não deve subir juros só porque a energia ficou cara. Isso cria um cenário em que derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como petróleo) ligados a commodities (matérias-primas como petróleo e metais) podem ir bem sem causar uma alta imediata de juros para toda a economia.Volatilidade e precificação do mercado
Mesmo com dados do núcleo da inflação tranquilos, consumidores sentem a pressão nos itens que compram com frequência. A média nacional da gasolina está perto de US$ 3,85 por galão, uma alta forte desde janeiro que os dados oficiais de fevereiro ainda não capturam. Essa diferença entre o dado oficial e a sensação do público ajuda a explicar por que o CBOE Volatility Index (VIX, índice que mede a volatilidade esperada do mercado, muitas vezes chamado de “índice do medo”) continua elevado, perto de 19, sugerindo que os prêmios de opções (o preço pago para comprar a opção) podem continuar atrativos para quem vende opções. Lembramos como o Fed agiu com aumentos de juros em 2022 e 2023 quando a inflação estava espalhada por toda a economia. O cenário atual parece diferente, com altas de preços mais concentradas em setores como energia. Isso indica que estratégias que ganham com a volatilidade contínua em ações ou setores específicos, em vez de apostar na direção do mercado como um todo, podem funcionar melhor nas próximas semanas.
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