Cortes de oferta e choque no mercado
Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Kuwait reduziram a produção por causa da pouca capacidade de armazenamento. As estimativas apontam um corte total de 6,7 milhões de barris por dia, cerca de 6% da oferta global de petróleo. Governos do G7 pediram à Agência Internacional de Energia (AIE) que preparasse cenários para liberar estoques emergenciais de petróleo. A AIE coordena o uso dos estoques de petróleo dos países da OCDE (grupo de países mais ricos e industrializados) e afirmou que os governos membros vão avaliar a segurança do abastecimento e as condições do mercado antes de decidir.Estratégias com opções para mercados instáveis
Nesse cenário, comprar opções é uma estratégia importante para lidar com possíveis choques de preço nas próximas semanas. Opções são contratos que dão o direito (mas não a obrigação) de comprar ou vender um ativo por um preço definido; a perda máxima costuma ser o prêmio, que é o valor pago pela opção. Isso permite ganhar com grandes movimentos para cima ou para baixo, com risco limitado. O índice de volatilidade de petróleo da CBOE (OVX) tem ficado acima de 30. Volatilidade é uma medida de quanto o preço oscila. Esse nível sugere que o mercado já está precificando muita incerteza. Para quem quer controlar custos, usar spreads verticais em contratos futuros (futuros são acordos para comprar ou vender no futuro por um preço combinado) de Brent ou WTI pode ser uma abordagem prática. Um spread vertical é montar duas opções do mesmo tipo (compra ou venda), com preços de exercício diferentes, para reduzir o custo e definir melhor o quanto se pode ganhar ou perder. É uma forma mais conservadora de se posicionar para um movimento de preço e proteger o capital de viradas rápidas. Também é provável ver mais proteção de preço (hedge) por grandes consumidores, como companhias aéreas e empresas de transporte marítimo. Hedge é uma operação para reduzir risco de alta ou queda de preços. Essa busca por proteção contra alta pode deixar opções de compra (calls, que ganham valor se o preço subir) relativamente mais caras do que opções de venda (puts, que ganham valor se o preço cair). Isso pode criar oportunidades para quem opera “skew”, que é a diferença de preços entre calls e puts com o mesmo prazo, causada por demanda desigual por proteção. Em 2008, durante a crise financeira, os preços do petróleo caíram mais de 70% em cinco meses. Esse histórico mostra que choques de oferta podem ser seguidos por queda forte da demanda (menos consumo) se a economia global piorar. Por isso, é prudente considerar proteção contra queda com puts, ao mesmo tempo em que se monitora o risco de alta.
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