Próximos dados e fatores que podem mexer com o dólar
A atenção agora vai para dados dos EUA que podem guiar o próximo movimento do dólar. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor, uma medida de inflação) de fevereiro, na quarta-feira às 12:30 GMT, é esperado em 0,3% no mês e 2,4% no ano, com o núcleo do CPI (inflação “sem itens muito voláteis”, como energia e alimentos) projetado em 0,2% no mês. Na quinta-feira saem os pedidos iniciais de seguro-desemprego (número de pessoas pedindo auxílio pela primeira vez), esperados em 215 mil, e um discurso do dirigente do Fed (o banco central dos EUA), Bowman, às 19:00 GMT. Na sexta-feira vêm o PIB preliminar do 4º trimestre (Produto Interno Bruto, o tamanho da economia), o núcleo do PCE de janeiro às 12:30 GMT (PCE é uma medida de inflação acompanhada de perto pelo Fed), além do índice de confiança da Universidade de Michigan (sentimento do consumidor) e dados do JOLTS mais tarde (JOLTS mede vagas de emprego e rotatividade no mercado de trabalho). O conflito com o Irã continua sendo um fator importante para o dólar. Um novo aumento do risco ou do petróleo pode apoiar a moeda, enquanto menos tensão pode empurrar o DXY para baixo. A queda do petróleo, de acima de US$ 95 para perto de US$ 85 por barril, está enfraquecendo o dólar, mas vale lembrar a reação dos mercados no começo de 2022 com o conflito na Ucrânia. O choque inicial foi seguido por um rali de alívio (alta após a tensão diminuir) antes de um período mais longo de instabilidade de preços. Qualquer interrupção confirmada no Estreito de Ormuz, por onde passam mais de 21 milhões de barris de petróleo por dia, inverteria essa tendência e faria a busca por “porto seguro” no dólar disparar.Estratégias com opções para risco dos dois lados
Com a divulgação do CPI de fevereiro hoje, vale observar qualquer surpresa para cima que possa trazer força ao dólar mesmo sem fatores geopolíticos. Um número acima da projeção anual de 2,4% reforçaria a postura hawkish do Fed (postura mais “dura”, de manter juros altos para combater a inflação) e provavelmente limitaria novas quedas do dólar. Por isso, vemos valor em comprar opções de compra (call) do DXY de curto prazo e fora do dinheiro (preço de exercício acima do nível atual, ou seja, ainda sem ganho imediato), como uma forma mais barata de se posicionar para uma inflação mais alta do que o esperado ou uma notícia geopolítica negativa. Os sinais mistos indicam que apostar em uma direção só é arriscado, o que torna estratégias que ganham com volatilidade (oscilações fortes de preço) mais atraentes. Uma alternativa é montar um straddle comprado (estratégia que compra uma call e uma put — opção de venda — no mesmo preço de exercício), em ETFs de grandes pares de moedas (ETF é um fundo negociado em bolsa). Essa posição pode dar lucro se o dólar fizer um movimento forte para qualquer lado, conforme as histórias geopolítica e econômica fiquem mais claras nos próximos dias.
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