Foco do mercado e catalisadores de curto prazo
O apetite por risco (disposição do mercado para assumir risco) e a compra fraca limitaram a alta do ouro. O mercado acompanha dados de inflação dos EUA, com o CPI na quarta-feira e o Índice de Preços PCE (medida de inflação baseada nos gastos das famílias) na sexta-feira, além de novos desdobramentos do conflito EUA–Israel envolvendo o Irã. No lado técnico (análise baseada em gráficos e níveis de preço), o ouro ficou em faixa por cerca de uma semana, com suporte perto da EMA de 200 períodos (média móvel exponencial que dá mais peso aos preços recentes) no gráfico de 4 horas, em torno de US$ 5.010. O MACD (indicador de tendência e força do movimento) virou para positivo, o RSI (indicador de força, de 0 a 100) está pouco acima de 50, o suporte fica perto de US$ 5.140, e as resistências (regiões onde o preço tende a “travar”) estão em US$ 5.190 e US$ 5.230. Com a tensão elevada no Oriente Médio, há risco geopolítico importante sendo refletido nos preços das opções de ouro (contratos que dão o direito de comprar ou vender a um preço definido). A ameaça de fechar o Estreito de Hormuz é concreta, já que cerca de 20% do petróleo diário do mundo passa por ali. Qualquer interrupção real causaria um choque inflacionário forte, o que tende a tornar o ouro um dos principais ativos de proteção. Esse risco de petróleo mais caro complica a próxima decisão do Federal Reserve, ainda mais depois de a inflação ter permanecido acima de 3,2% no segundo semestre de 2025. Por isso, o CPI de quarta-feira (Índice de Preços ao Consumidor, medida de inflação) é o dado mais importante das próximas semanas. Um número de inflação alto provavelmente atrasaria cortes de juros e poderia aumentar a volatilidade (oscilações rápidas e intensas de preço) no mercado.Posicionamento em opções e níveis-chave
Para traders (operadores) com visão cautelosamente otimista, montar “bull call spreads” (estratégia com opções: compra de uma opção de compra e venda de outra opção de compra, com preços de exercício diferentes) em futuros de ouro (contratos para comprar/vender no futuro) parece uma abordagem prudente. Isso pode incluir comprar uma opção de compra com preço de exercício perto do suporte, por exemplo em US$ 5.140, e ao mesmo tempo vender uma opção de compra com preço de exercício perto da resistência em US$ 5.230. Essa estrutura limita o lucro, mas reduz o custo inicial e deixa o risco mais definido antes do dado de inflação. Porém, como o CPI pode “virar o jogo” para cima ou para baixo, é possível um movimento forte em qualquer direção. Quem espera uma alta de volatilidade, sem apostar no lado, pode considerar “long strangles” (estratégia que compra uma opção de compra e uma opção de venda fora do dinheiro, ou seja, com preços de exercício longe do preço atual). Essa estratégia ganha com uma grande oscilação e depende menos de acertar a reação do mercado aos números de inflação. É essencial acompanhar o nível técnico em US$ 5.010, visto como ponto de virada (nível que pode mudar o rumo do preço) por representar a média móvel de 200 períodos. Uma quebra clara abaixo desse suporte enfraqueceria a estrutura de alta atual, que vem se formando desde a recuperação vista no fim de 2025. Nesse caso, comprar “puts” (opções de venda, que ganham valor quando o preço cai) passa a ser uma defesa importante para proteger contra uma correção mais profunda.
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