Volatilidade no CEE causada pelo petróleo
A Polônia deve divulgar a inflação de fevereiro na sexta-feira, com expectativa de ficar em 2,2% na comparação anual. Os ativos do CEE (investimentos como moedas, títulos e ações da região) são apresentados como sensíveis ao aumento do custo de energia, com as mudanças no preço do petróleo elevando a preocupação com inflação e afetando o desempenho das moedas, especialmente o florim. Vimos esse cenário no início de 2025, quando tensões no Oriente Médio causaram uma forte queda nos juros e nas moedas da região. O florim húngaro ficou sob maior pressão porque a alta do petróleo levou a um desfazimento rápido do que era uma posição comprada muito grande (muita gente apostando na alta da moeda ao mesmo tempo). Essa lembrança deve orientar as decisões agora, pois pressões parecidas estão voltando. Com os contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro) do petróleo Brent tendo voltado a subir acima de US$ 95 por barril nas últimas duas semanas, estamos vendo o movimento se repetir. Os números de inflação de fevereiro da Hungria, divulgados na semana passada, mostraram uma aceleração inesperada para 4,1%, destacando como a economia é vulnerável a choques de energia (aumentos repentinos de custos). Essa nova pressão de preços quase certamente vai interromper novos cortes de juros do Banco Nacional da Hungria. Para traders de derivativos (contratos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como opções), isso é um sinal para se proteger ou apostar em mais fraqueza do florim. Comprar opções de compra (call) de EUR/HUF com vencimento (prazo de validade do contrato) de um a dois meses é uma forma direta de se posicionar para alta do par. A volatilidade implícita (medida do quanto o mercado espera que o preço oscile, embutida no preço das opções) do florim já subiu 20% desde o fim de fevereiro, indicando que o mercado espera movimentos grandes. Também é preciso acompanhar a Polônia, que divulgou dados de inflação mostrando que ela permaneceu acima de 3,5% no mês passado. Embora o zloty (moeda polonesa) seja visto como mais resistente que o florim, ele também sofre com o humor da região influenciado pelos custos de energia. Uma operação de valor relativo (trade que compara dois ativos para capturar a diferença entre eles), ficando comprado no zloty contra o florim (long PLN/HUF: apostar que PLN vai se sair melhor que HUF), pode ajudar a separar as vulnerabilidades diferentes dentro do CEE.Geopolítica acima dos dados locais
No fim, é melhor deixar o calendário econômico local em segundo plano por agora. O principal fator para os ativos do CEE nas próximas semanas será o preço do petróleo e seu impacto nas expectativas de inflação (o que o mercado acredita que a inflação será no futuro). O foco deve ficar nos acontecimentos geopolíticos globais, pois eles devem continuar a dominar o desempenho dos mercados da região.
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