Aversão ao risco e perspectiva de volatilidade
Com a volta da aversão ao risco e a corrida para o Dólar dos EUA, é provável que a volatilidade (oscilações fortes de preço) aumente nas próximas semanas. A volatilidade implícita (estimativa, pelo mercado, do quanto o preço pode oscilar) nas opções de GBP/USD (contratos que dão o direito de comprar ou vender o par a um preço combinado) provavelmente subiu, refletindo a incerteza do choque do petróleo e do conflito com o Irã. Vemos o índice de volatilidade GBP/USD da CME (bolsa de derivativos), o CVOL, saltar de cerca de 7,5% na semana passada para acima de 10% hoje, o maior nível em quatro meses. Para uma visão direcional (apostar em alta ou queda), vale considerar a compra de opções de venda (put: contrato que tende a ganhar valor quando o preço cai) de GBP/USD para se expor a mais queda com risco limitado. O Reino Unido, por importar mais energia do que exporta, fica mais vulnerável quando o petróleo sobe. Isso pesa ainda mais porque o CPI (índice de preços ao consumidor, uma medida de inflação) de fevereiro de 2026 ficou resistente em 3,4%. Já os EUA sofrem menos com esse choque e a economia está mais forte. Esse quadro muda o que vinha se formando em 2025. No ano passado, houve desinflação (inflação desacelerando) de forma constante, e o mercado passou a apostar em cortes de juros até meados de 2026 tanto pelo Banco da Inglaterra quanto pelo Federal Reserve (banco central dos EUA). A crise geopolítica muda essa visão e força uma reprecificação de risco (ajuste de preços de vários ativos por causa de novas incertezas). A força do Dólar é parte central desse movimento, sustentada pelo papel de porto seguro (moeda buscada em momentos de tensão) e por uma economia doméstica sólida. O relatório mais recente de Non-Farm Payrolls (empregos fora do setor agrícola, principal indicador mensal do mercado de trabalho nos EUA), divulgado na sexta-feira, mostrou criação forte de 245.000 vagas. Isso deixa o Federal Reserve em posição melhor para manter os juros do que outros bancos centrais. Por isso, também faz sentido avaliar posições compradas em Dólar (apostar na alta do USD) contra outras moedas de países importadores de energia, não apenas a Libra.Mercado de energia e posicionamento com opções
Também é importante olhar diretamente para o mercado de energia, que é a fonte da instabilidade. A volatilidade nos futuros (contratos para comprar/vender no futuro a um preço combinado) de WTI e Brent (referências internacionais de preço do petróleo) está extrema. Estratégias com opções como straddle (compra de uma opção de compra e uma de venda ao mesmo tempo, para lucrar com um movimento grande para qualquer lado) podem ser adequadas. Em 2022, os futuros de petróleo passaram de US$ 120 por barril durante o conflito, e a estrutura atual do mercado sugere que traders (participantes que negociam no curto prazo) se preparam para movimentos fortes parecidos.
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