Cenários de choque do petróleo e impacto no mercado
Ele acrescenta que o crescimento pode ser sustentado por apoio de políticas públicas, lucros mais distribuídos entre setores e um boom de gastos de capital (investimento de empresas em máquinas, fábricas e tecnologia) ligado à IA (inteligência artificial). No segundo caso, uma alta persistente de mais de USD 20, ou petróleo acima de USD 100 como em 2022, pode prejudicar mais o crescimento e reduzir lucros e múltiplos de avaliação (indicadores como P/L, que comparam preço com lucro). A HSBC também simula um choque persistente de USD 10 no petróleo e conclui que as economias desenvolvidas teriam efeitos parecidos sobre crescimento e inflação. Ela afirma que mercados emergentes teriam resultados mais variados, enquanto alguns ativos dos EUA estão “precificados para perfeição” (muito caros, como se nada pudesse dar errado) e outras regiões têm diferenças de avaliação que podem oferecer alguma proteção. Com o petróleo WTI (tipo de petróleo usado como referência nos EUA) subindo para US$ 92 por barril nesta semana, com novas tensões no Estreito de Ormuz, aparecem dois cenários distintos de choque do petróleo. A principal dúvida para as próximas semanas é se isso é temporário ou o início de um movimento persistente rumo a US$ 100. Se acreditarmos que esse risco geopolítico vai diminuir e que a oferta seguirá forte, estratégias com opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço definido) que apostam em queda de preço ficam interessantes. Isso pode incluir vender call spreads (vender uma opção de compra e comprar outra mais cara, para limitar risco) em futuros de petróleo (contratos para comprar/vender no futuro) com preços de exercício (strike) na faixa alta de US$ 90, buscando ganhar com a volta para a faixa de US$ 80. Essa visão supõe que políticas de apoio e lucros corporativos conseguem absorver essa interrupção curta.Posicionamento e estratégias de proteção
Porém, se essa alta durar mais, é preciso considerar o risco para o crescimento econômico. Em 2022, quando o petróleo passou de US$ 100, houve destruição de demanda (queda no consumo por preço alto) e turbulência no mercado. Com os dados do CPI (índice de preços ao consumidor dos EUA) de fevereiro mostrando a inflação núcleo (inflação sem itens muito voláteis, como energia e alimentos) ainda em 3,1%, um choque prolongado do petróleo limitaria a capacidade do banco central de apoiar a economia. Nesse cenário mais ruim, puts de proteção (opções de venda usadas como “seguro” contra queda) em índices como o S&P 500 tornam-se importantes. O mercado dos EUA é mais vulnerável: o P/L projetado (forward P/E, preço dividido pelo lucro esperado) do S&P 500 está perto de 22x, sugerindo preço alto. Proteger esse risco com opções é prudente, porque um susto de crescimento pode derrubar essas avaliações. Olhando para trás, a análise de 2025 destacou a diferença de avaliação entre os EUA e outras regiões, o que oferece uma oportunidade. O índice MSCI Mercados Emergentes negocia a um P/L projetado bem menor, perto de 13x, o que dá um colchão relativo. Uma operação de pares (comprar um ativo e vender outro para apostar na diferença) usando opções para favorecer ETFs (fundos negociados em bolsa) de emergentes em vez de índices americanos caros pode ir bem se a energia mais cara começar a pesar no crescimento global.
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