Riscos para a oferta de petróleo
Navios-tanque evitaram o Estreito de Ormuz, aumentando a preocupação com problemas de abastecimento. Os preços do petróleo bruto subiram mais de 25%, o que elevou o medo de inflação puxada pela energia (quando combustível e energia ficam mais caros e isso aumenta os preços em geral). Petróleo mais caro pode aumentar a pressão para grandes bancos centrais (autoridades que controlam juros e a quantidade de dinheiro na economia), incluindo o Federal Reserve dos EUA (o banco central dos EUA), manterem a política monetária mais apertada (juros mais altos e crédito mais difícil). Custos maiores de energia também podem reduzir a atividade econômica e diminuir a procura por ativos mais arriscados (como ações). Os mercados também acompanham os dados de inflação ao consumidor dos EUA desta semana, em busca de sinais sobre o caminho dos cortes de juros do Federal Reserve. Os acontecimentos geopolíticos (relacionados a conflitos e relações entre países) continuam sendo um dos principais fatores por trás do “humor” de risco do mercado (maior ou menor disposição para investir em ativos arriscados). Lembramos como o mercado foi abalado no ano passado pela escalada repentina no Oriente Médio e pela morte do aiatolá Khamenei. O S&P 500 reagiu na hora com uma forte queda, enquanto o petróleo disparou, lembrando muita gente da crise de energia de 2022. Isso criou um cenário de inflação mais alta e bancos centrais mais cautelosos (mais cuidadosos antes de reduzir juros).Condições de mercado agora
Os efeitos continuam até hoje, em março de 2026. O petróleo WTI (tipo de petróleo bruto usado como referência nos EUA) ficou em um patamar alto, negociado perto de US$ 95 por barril, e o relatório mais recente de inflação ao consumidor dos EUA de fevereiro mostrou alta anual de 4,1%, ainda elevada. Por causa dessa inflação persistente (que não cede), o Federal Reserve pausou o ciclo de corte de juros, mantendo os custos de empréstimo altos por mais tempo do que se esperava no ano passado. Essa incerteza aparece claramente no mercado de derivativos (contratos financeiros cujo preço depende de outro ativo, como ações ou índices). O Índice de Volatilidade da CBOE, o VIX (medida do “medo” do mercado baseada em opções do S&P 500), tem ficado em um nível alto e está em 24, bem acima da média de longo prazo. Isso indica que os traders (operadores) estão colocando no preço o risco de oscilações grandes e rápidas no curto prazo. Para os traders, isso significa que o custo de “seguro” da carteira segue alto. Comprar opções de venda (puts, contratos que ganham valor quando o preço cai) para proteção em índices grandes como o SPX (índice de opções ligado ao S&P 500) ficou caro, porque a volatilidade implícita (volatilidade esperada embutida no preço da opção) aumenta o valor das opções em geral. O mercado está pagando mais por proteção contra queda, refletindo o medo de outro choque geopolítico. A tensão também aumentou a busca por segurança, fortalecendo o dólar. O Índice do Dólar (DXY, que mede o dólar contra uma cesta de moedas) está perto das máximas de vários anos, pressionando os preços de commodities (matérias-primas como petróleo e metais) e os lucros de empresas multinacionais. Enquanto isso, os rendimentos de títulos públicos (o retorno pago por títulos do governo) seguem altos, pois investidores exigem mais compensação pelo risco de inflação.
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