Tensões no Oriente Médio Aumentam a Procura por Ativos de Proteção
O dólar se fortaleceu contra outras moedas porque aumentou a procura por ativos mais seguros (instrumentos buscados em momentos de crise para preservar valor). O movimento também foi ligado à alta do petróleo. Dados de emprego dos EUA limitaram a alta do dólar. O Bureau of Labor Statistics (BLS — órgão do governo que divulga estatísticas de trabalho) informou que o Nonfarm Payrolls (NFP — número de vagas criadas fora do setor agrícola) caiu 92.000 em fevereiro. Depois de uma alta de 126.000 em janeiro (revisada de 130.000), o resultado de fevereiro também ficou abaixo da previsão de +59.000.Estratégia de Negociação com Volatilidade Mais Alta
O choque entre um evento geopolítico que aumenta a aversão ao risco (quando investidores evitam ativos mais arriscados) e dados fracos da economia interna cria incerteza e tende a elevar a volatilidade (oscilações mais fortes de preço). O Cboe Volatility Index (VIX — índice que mede a volatilidade esperada do mercado de ações dos EUA) já subiu para acima de 24, após ficar na faixa de 15 a 19 algumas semanas atrás. Esse cenário favorece o uso de opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço definido) para buscar ganho com grandes oscilações, e não só com a direção do preço, nas próximas semanas. As tensões também empurraram o preço do petróleo para cima, com o WTI (West Texas Intermediate — referência do preço do petróleo nos EUA) passando de US$ 95 por barril pela primeira vez desde o fim de 2024. Isso tende a apoiar o dólar contra moedas de países que importam energia, como o euro e o iene japonês. Traders de derivativos (instrumentos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como opções e futuros) podem considerar opções de compra (call — direito de comprar) do USD contra essas moedas para aproveitar a busca atual por proteção. Ao mesmo tempo, a economia dos EUA perdeu 92.000 vagas, bem pior do que a expectativa de ganho de 59.000. Um número tão fraco é um sinal importante de desgaste da economia. Isso indica que a força atual do dólar pode ser instável. Esse resultado fraco muda rapidamente as expectativas para a política do Federal Reserve (Fed — banco central dos EUA). Os Fed funds futures (contratos futuros que mostram a expectativa do mercado para a taxa de juros do Fed) já passaram a indicar maior chance de corte de juros na próxima reunião do FOMC (comitê do Fed que decide os juros). Um corte de juros tende a enfraquecer o dólar, indo contra a alta atual. Diante dessas forças opostas, traders podem usar estratégias para reduzir risco de uma virada rápida. Por exemplo, ao manter uma posição comprada em dólar via futuros (contratos para comprar ou vender no futuro por um preço acordado), é possível comprar opções de venda (put — direito de vender) “fora do dinheiro” (out-of-the-money — com preço de exercício que ainda não geraria lucro se exercida) em um par como USD/JPY. Isso protege caso os dados econômicos passem a pesar mais do que a busca por proteção e a alta do dólar se reverta.
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