A escalada da guerra no Oriente Médio elevou o petróleo, enquanto dados fracos de emprego nos EUA abalaram o dólar americano

by VT Markets
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Mar 7, 2026
O conflito no Oriente Médio aumentou depois que o Líder Supremo do Irã foi assassinado em 28 de fevereiro, seguido por ataques do Irã contra Israel e bases dos EUA no entorno do Golfo Pérsico. Forças iranianas bloquearam o Estreito de Ormuz, interrompendo a principal rota de abastecimento de petróleo da Ásia. O Índice do Dólar (DXY, uma medida do dólar contra uma cesta de moedas) ficou perto de 99,70 durante a semana e depois caiu para 99,00 na sexta-feira. O relatório de empregos dos EUA (Nonfarm Payrolls, vagas fora do setor agrícola) mostrou queda de 92 mil em fevereiro, contra a expectativa de alta de 59 mil. Janeiro foi revisado para 126 mil (antes 130 mil) e o desemprego subiu para 4,4% (de 4,3%).

Choque nos preços de energia e reprecificação no câmbio

O EUR/USD ficou perto de 1,1600. O euro foi afetado pela oscilação do preço de petróleo e gás, apesar de os estoques de energia da Europa estarem cheios antes do inverno. O GBP/USD ficou perto de 1,3400, com o mercado colocando uma chance de 20% a 30% de o Banco da Inglaterra (BoE) cortar juros em 0,25 ponto percentual em março, abaixo de cerca de 80% antes do conflito. O USD/JPY ficou em torno de 157,70, enquanto o AUD/USD operou perto de 0,7030 com o ouro mais firme. O petróleo subiu para US$ 90,20 por barril e o ouro foi negociado a US$ 5.147, testando US$ 5.200. A agenda inclui falas de membros do BCE (Banco Central Europeu), do Fed (Banco Central dos EUA) e do BoE entre 9 e 12 de março, além de dados como CPI/PPI da China (inflação ao consumidor/ao produtor), CPI dos EUA (inflação ao consumidor) e PIB do Reino Unido (tamanho da economia). Bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro, no valor de cerca de US$ 70 bilhões, em 2022. O foco imediato deve ser o petróleo. Com o Estreito de Ormuz bloqueado, cerca de 20% da oferta diária mundial de petróleo fica travada. Os preços já subiram para US$ 90, mas episódios históricos de choque geopolítico, como a crise do petróleo de 1973, indicam que pode haver uma alta maior e mais duradoura. Quem opera derivativos (contratos cujo preço depende de outro ativo) deve considerar que opções de compra (call, um contrato que ganha valor se o preço subir) de futuros de petróleo (contratos para comprar/vender no futuro) e de ETFs do setor de energia (fundos negociados em bolsa) tendem a ter aumento de volatilidade implícita (expectativa do mercado para oscilações futuras) e de procura. O cenário para o dólar é misto. No começo, ele foi favorecido por busca por segurança. Porém, o relatório de empregos muito fraco, com perda de 92 mil vagas, sinaliza piora forte da economia e pode pressionar o Fed a mudar o rumo. Esse choque entre “dólar como refúgio” e dados fracos sugere o uso de opções como straddle ou strangle (estratégias que compram opções para ganhar com grandes oscilações, para cima ou para baixo) no DXY.

Ouro, dólar e volatilidade de juros

A alta do ouro para acima de US$ 5.100 é o sinal mais claro de migração para ativos “duros” (bens físicos como ouro) em um clima de medo geopolítico e econômico. Esse movimento é apoiado por uma tendência de compra de ouro por bancos centrais para reduzir a dependência do dólar nas reservas. O período de estagflação dos anos 1970 (inflação alta com economia fraca) serve como referência histórica, quando o ouro teve ótimo desempenho. No câmbio, vale observar diferenças nas decisões dos bancos centrais causadas pela crise. O mercado está retirando da conta um corte de juros do Banco da Inglaterra, o que fortalece a libra, enquanto os dados fracos de emprego nos EUA pressionam o Fed. Essa diferença pode sustentar estratégias como comprar opções de compra de GBP/USD, buscando que a libra continue melhor que o dólar. O iene japonês está perdendo o papel tradicional de “moeda de segurança” porque o Japão depende muito de energia importada, então o choque do petróleo atinge diretamente sua economia. O Banco do Japão já está em alerta, e não esperamos um fortalecimento importante do iene nesse ambiente. Portanto, é melhor cautela ao comprar JPY e até considerar estratégias que ganham com fraqueza adicional, como call spreads de USD/JPY (uma combinação de opções de compra para reduzir custo e limitar ganhos/perdas). O dólar australiano está sendo apoiado pela alta do ouro, refletindo que a Austrália é grande exportadora de commodities (matérias-primas). Isso abre espaço para pares que colocam força de commodities contra fraqueza de países importadores de energia. Uma operação como comprar opções de compra de AUD/EUR pode capturar essa dinâmica, já que a economia europeia é muito sensível à alta de energia. A atenção principal deve estar nos dados de inflação da próxima semana, especialmente o CPI dos EUA na quarta-feira. Se a inflação vier alta enquanto o crescimento enfraquece, isso confirma um cenário de estagflação e aumenta muito a volatilidade (oscilações de preço). É importante se preparar para movimentos fortes perto dessas divulgações, pois elas influenciam as decisões dos bancos centrais nas próximas semanas.

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