Ouro e dinâmica de liquidez
A relação petróleo/ouro mudou, saindo de quase 80 barris para 1 onça (oz) de ouro para 60 barris. Juros, liquidez e o papel do ouro como “termômetro de risco” (indicador de medo ou apetite por risco no mercado) podem voltar ao centro das atenções após o relatório de empregos dos EUA, dependendo se os dados vierem acima ou abaixo do esperado. O ouro enfrenta sua primeira perda semanal em cinco semanas, enquanto reavaliamos seu papel de porto seguro. O relatório de empregos dos EUA de fevereiro, mais forte do que o esperado, com 250.000 vagas contra a previsão de 180.000, reforça a visão de que o Federal Reserve (banco central dos EUA) fará menos cortes de juros neste ano. A expectativa de juros mais altos por mais tempo torna o ouro, que não paga juros, menos atrativo. A alta do dólar é um forte obstáculo, com o Índice do Dólar (DXY, medida do dólar contra uma cesta de moedas) subindo 1,7% nesta semana para acima de 105,5, seu melhor resultado em mais de um ano. Essa força também é alimentada por sinais de possíveis altas de juros na Europa, tornando o dólar um porto seguro mais atraente do que o ouro no momento. Isso pesa diretamente no preço do ouro, que é cotado em dólar, e que agora tem dificuldade de se manter acima de US$ 2.250 por onça.Opções e proteção tática
Também vemos o ouro sendo usado como fonte de dinheiro nesse cenário. Operadores estão vendendo suas posições em ouro para cobrir chamadas de margem (pedido do corretor para colocar mais dinheiro como garantia) em outros ativos ou para aumentar a liquidez antes de uma possível maior oscilação do mercado. Esse comportamento trata o ouro não como reserva de valor de longo prazo (bem que tende a preservar poder de compra), mas como uma fonte rápida de recursos. Para quem opera derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como ouro), isso sugere que comprar opções de venda (puts, contratos que ganham valor quando o preço cai) em futuros de ouro (contratos para comprar/vender ouro numa data futura) ou em ETFs relacionados (fundos negociados em bolsa que acompanham o preço do ouro) pode ser uma estratégia nas próximas semanas. Isso permite ganhar com novas quedas, enquanto o mercado reduz a expectativa de cortes de juros pelo Fed. Uma queda abaixo do suporte de US$ 2.200 (região de preço onde costuma surgir compra e segurar a queda) parece mais provável se esse movimento continuar. O mercado antes esperava vários cortes de juros neste ano, mas esse sentimento mudou. A mudança na relação petróleo/ouro, de quase 80 para perto de 60 barris por onça, mostra como o risco está sendo reavaliado entre diferentes commodities (matérias-primas como petróleo e ouro). Essa incerteza mais alta indica que estratégias que ganham com maior oscilação, como straddles (estratégia com compra de opção de compra e de venda ao mesmo tempo, para lucrar se o preço se mover muito), podem funcionar perto da próxima divulgação de inflação. Crie sua conta real na VT Markets e comece a operar agora.
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