Choque de energia mantém pressão sobre o euro
O risco de fechamento do Estreito de Ormuz aumentou a preocupação com interrupção no fornecimento de petróleo e gás. A dependência da Europa de energia importada manteve pressão sobre o euro, porque preços mais altos de petróleo e gás natural podem enfraquecer a economia. Os mercados acompanham a leitura final do PMI de Serviços da Zona do Euro (um índice baseado em pesquisa com empresas; acima de 50 indica expansão e abaixo de 50 indica contração) para movimentos de curto prazo. Nos EUA, saem o ADP de emprego no setor privado (estimativa de vagas com base em dados da ADP) e o PMI de Serviços do ISM (pesquisa do instituto ISM sobre atividade no setor de serviços). As notícias geopolíticas continuam sendo um fator central para a demanda por dólares. O euro segue com dificuldade contra o dólar, e a tendência deve continuar. A pressão vem de dois lados: o conflito no Oriente Médio faz o dólar parecer um lugar mais seguro para o dinheiro, e as mesmas tensões podem gerar uma crise de energia que afeta mais a Europa. Isso reforça uma visão negativa para o EUR/USD. O fechamento recente do Estreito de Ormuz não é apenas manchete; é um choque de oferta (queda repentina na disponibilidade de um produto). Com o petróleo Brent (referência global de preço do petróleo) acima de US$ 110 por barril, nível não visto há mais de um ano, investidores buscam a segurança do dólar. Isso lembra outros momentos de “fuga para segurança” em crises geopolíticas e reforça o papel do dólar como principal moeda de reserva (moeda mais usada por governos e bancos centrais para guardar valor e fazer pagamentos internacionais).Divergência de política monetária e ideias com opções
Para a Europa, isso é uma ameaça econômica direta. Os contratos futuros de gás natural europeu (TTF, referência de preço negociada em bolsa para entrega futura) já subiram 40% no último mês, e o dado final de produção industrial da Alemanha para janeiro de 2026 caiu 1,2% de forma inesperada. Isso indica que a energia cara já está prejudicando a base industrial da Zona do Euro. Essa diferença na economia muda as expectativas sobre bancos centrais. Enquanto o mercado agora considera apenas dois possíveis cortes de juros do Federal Reserve em 2026, cresce a especulação de que o Banco Central Europeu pode precisar cortar juros antes para apoiar uma economia mais fraca. Esse aumento da diferença nas expectativas de juros tende a pesar sobre o euro. O recuo do par para a faixa de 1,1530 em novembro de 2025 foi um alerta importante. Agora o mercado volta a testar esses mesmos níveis, e o cenário básico (condições principais que movem o preço, como economia, juros e energia) piorou para o euro desde então. A situação lembra o choque de energia de 2022, que derrubou a moeda. Operadores de derivativos (produtos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como câmbio) podem considerar comprar opções de venda (put: contrato que dá o direito de vender a um preço definido) de EUR/USD para ganhar com nova queda. Opções com preço de exercício (strike: preço definido no contrato) abaixo de 1,1500, como 1,1450 ou 1,1400, são uma forma direta de apostar nessa fraqueza. Buscar vencimentos em abril ou maio de 2026 dá tempo para a ideia se desenvolver. Outra estratégia é vender opções de compra (call: contrato que dá o direito de comprar a um preço definido) fora do dinheiro (out-of-the-money: quando o strike está longe do preço atual e a chance de virar lucro é menor) ou montar spreads de call baixista (bear call spread: vender uma call e comprar outra com strike mais alto para limitar risco). Essa abordagem se beneficia de queda e do “tempo passando” (decadência temporal: perda de valor da opção conforme o vencimento se aproxima). O operador poderia vender calls com strike perto de 1,1700, criando uma margem em relação ao nível atual e recebendo um prêmio (valor pago/recebido pela opção) de quem aposta em recuperação.
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