Na terça-feira, o ouro cai mais de 4% à medida que a disparada dos rendimentos dos Treasuries dos EUA pressiona seu apelo de porto seguro

by VT Markets
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Mar 4, 2026
O ouro caiu mais de 4% na terça-feira, pressionado por **juros mais altos** dos títulos do governo dos EUA e por um **Dólar** mais forte. O XAU/USD foi negociado a US$ 5.104 após tocar a mínima do dia em US$ 4.997. O conflito envolvendo EUA, Israel e Irã entrou no quarto dia, com relatos de explosões em Teerã e Beirute. O WTI subiu 6,74% para US$ 75,80 por barril, apoiado por ameaças da Guarda Revolucionária do Irã de manter o Estreito de Ormuz fechado (uma rota marítima importante por onde passa grande parte do petróleo do mundo).

Dólar e juros pressionam o ouro

O Índice do Dólar dos EUA (medida do valor do dólar contra uma cesta de moedas) subiu quase 0,70% para 99,21, enquanto o rendimento (juros) do título do governo dos EUA de 10 anos subiu para 4,059%, alta de quase três pontos-base (0,03 ponto percentual). O mercado passou a precificar 44 pontos-base de corte de juros pelo Federal Reserve até o fim do ano (o Federal Reserve, ou “Fed”, é o banco central dos EUA). O presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que a política monetária está “bem posicionada” e que cortes podem ser necessários se a inflação seguir o caminho esperado. Já Jeffrey Schmid (Fed de Kansas City) e Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) afirmaram que a inflação segue alta, com Schmid citando a meta de 2% (objetivo oficial de inflação do Fed). Os dados dos EUA nesta semana incluem: ISM Services PMI na quarta (pesquisa que mede a atividade do setor de serviços), pedidos de auxílio-desemprego na quinta (número de novas solicitações de seguro-desemprego) e o Nonfarm Payrolls na sexta (relatório de empregos fora do setor agrícola, principal dado do mercado de trabalho dos EUA). No gráfico, níveis próximos incluem resistência em US$ 5.100, US$ 5.200, US$ 5.249, US$ 5.300, US$ 5.379 e US$ 5.419, com suporte em US$ 5.000, US$ 4.950, US$ 4.841 e na MMS de 50 dias em US$ 4.810 (MMS/SMA é a média móvel simples, um indicador que suaviza preços para mostrar tendência). Bancos centrais compraram 1.136 toneladas de ouro, cerca de US$ 70 bilhões, em 2022, o maior volume anual já registrado. O ouro costuma se mover no sentido oposto ao Dólar e aos juros dos títulos do governo dos EUA, e pode reagir a conflitos, medo de inflação e expectativas de juros.

Lições da queda do ano passado

No começo de março de 2025, o ouro caiu 4% mesmo com o aumento das tensões geopolíticas. O mercado fugiu para ativos considerados mais seguros, fortalecendo o Dólar e elevando os juros dos títulos do governo, o que pesou contra o ouro. Esse movimento, em que a alta do dólar “fala mais alto” do que a função do ouro como proteção, é uma lição para hoje. O cenário atual tem diferenças, embora ainda exista incerteza. Hoje, o rendimento do título de 10 anos dos EUA está perto de 3,85%, abaixo de 4,059% — nível que pressionou o ouro na queda de 2025. Juros mais baixos tendem a ajudar um ativo que não paga rendimento como o ouro. O conflito no Oriente Médio, que levou o petróleo WTI para perto de US$ 76 por barril no ano passado, mudou, mas os preços de energia seguem relevantes. O WTI agora fica perto de US$ 79 por barril, mantendo o risco de inflação e dificultando o caminho do Fed. Essa pressão pode trazer uma surpresa mais “dura” do Fed (postura hawkish: mais favorável a juros altos para combater a inflação), como alguns dirigentes sinalizaram em 2025. No ano passado, o mercado projetava 44 pontos-base de cortes do Fed no ano inteiro. Hoje, depois de uma sequência de cortes no fim de 2025 e no começo de 2026, a discussão é quando e quanto será o próximo movimento. O relatório de empregos (Nonfarm Payrolls) desta semana será decisivo, porque sinais de força contínua na economia podem adiar novos cortes e dificultar a alta do ouro. Para quem opera derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo, como opções e futuros), isso sugere que a volatilidade implícita em opções de ouro pode subir antes de dados importantes (volatilidade implícita é a oscilação “esperada” pelo mercado, embutida no preço das opções). Com risco geopolítico e incerteza sobre o Fed, usar opções para limitar o risco — como spreads de compra (bull call spread) ou spreads de venda (bear put spread), que combinam duas opções para reduzir custo e limitar perdas — pode ser uma abordagem cuidadosa. Essas estratégias permitem buscar ganhos em um movimento de preço, com perda máxima definida. Também é preciso considerar a demanda forte de bancos centrais, uma tendência que continuou após o recorde de 1.136 toneladas em 2022. Relatórios recentes do World Gold Council (entidade que acompanha o mercado global de ouro) mostram que bancos centrais adicionaram mais de 800 toneladas às reservas em 2025, com países emergentes liderando as compras. Essa demanda constante ajuda a sustentar o preço e reduz o apelo de apostas muito agressivas na queda (posições vendidas/short).

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