Reformas no setor de combustíveis e contexto de subsídios
A nota citou reformas anteriores no setor de combustíveis, incluindo a retirada do controle de preços (desregulamentação, ou seja, o governo deixa o preço ser definido pelo mercado) da gasolina e do diesel. Disse que os subsídios totais (ajuda do governo para reduzir custos e preços) eram 1,2–1,3% do PIB, com petróleo representando menos de 3% do total. Disse que as autoridades podem limitar o repasse total de preços globais mais altos de combustíveis aos consumidores, citando o poder de compra das famílias, apoio às empresas e um calendário cheio de eleições estaduais no 1º semestre de 2026 (1H26). Também afirmou que um conflito prolongado pode afetar as remessas (dinheiro enviado por trabalhadores que vivem no exterior) e a conta corrente, enquanto não se esperava que o banco central mudasse a política, com uma pausa prolongada ainda em vigor (manter os juros sem mudanças por mais tempo). Com o aumento das tensões no Oriente Médio, os preços do petróleo preocupam. O Brent (referência internacional de preço do petróleo) passou de US$ 95 por barril nas negociações recentes, pressionando diretamente a rúpia indiana. Com isso, vemos o par USD/INR (cotação do dólar em rúpias) sendo negociado acima de 84,00, já que a Índia importa mais de 85% do petróleo bruto de que precisa. Esse cenário sugere posicionamento para mais fraqueza da rúpia. Cada alta de US$ 10 no petróleo deve ampliar o déficit em conta corrente em cerca de 0,35% do PIB. Operadores podem considerar comprar opções de compra (call, direito de comprar a um preço definido) de USD/INR ou contratos futuros (acordos para comprar ou vender no futuro a um preço combinado) para tentar ganhar com essa desvalorização esperada.Calendário eleitoral e limites de repasse
O calendário de eleições estaduais até o primeiro semestre de 2026 complica. O governo provavelmente evitará repassar todo o custo de combustíveis mais caros aos consumidores para proteger o orçamento das famílias. Isso pode reduzir o impacto imediato na inflação, mas vai apertar as finanças das empresas que vendem combustíveis (companhias de distribuição e venda, muitas vezes chamadas de “marketing” no setor). A combinação de moeda mais fraca e custos mais altos de insumos (matérias-primas e itens usados para produzir) é um fator negativo para as ações indianas. Vimos no aumento de tensão geopolítica no fim de 2025 como picos no petróleo podem causar correções (quedas após alta, ajuste de preços) no mercado. Isso torna opções de venda (put, direito de vender a um preço definido) de proteção sobre o índice Nifty 50 (principal índice de ações da Índia) uma estratégia de hedge (proteção contra perdas) interessante para as próximas semanas. Não esperamos que o Reserve Bank of India intervenha com altas de juros (aumento da taxa básica) por enquanto, apesar de a inflação já estar acima da meta. Os dados mais recentes do CPI (índice de preços ao consumidor, medida de inflação) mostraram inflação em 5,2%, mas o banco central deve priorizar o crescimento diante de choques externos (impactos vindos de fora do país). Essa pausa na política deixa a rúpia com menos apoio no curto prazo.
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