Durante as negociações europeias, o ouro cai 2,5%, para US$ 5.180, após quatro dias de alta impulsionada pelas tensões no Oriente Médio

by VT Markets
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Mar 4, 2026
O ouro (XAU/USD) caiu 2,5% para perto de US$ 5.180 no pregão europeu de terça-feira, após quatro dias seguidos de alta. O movimento aconteceu quando o preço recuou do limite superior de um canal de alta (padrão no gráfico em que o preço sobe entre duas “linhas” paralelas) perto de US$ 5.400 e caiu abaixo de US$ 5.200. No fim de semana, os EUA e Israel fizeram ataques aéreos ao Irã, matando líderes de alto escalão, incluindo o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei. Em seguida, o Irã fechou o Estreito de Ormuz (passagem marítima por onde passa grande parte do petróleo do mundo) e atacou território israelense e bases dos EUA, e depois atacou a Embaixada dos EUA em Riad com drones (aeronaves não tripuladas).

Principais fatores por trás do recuo

As expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve (o banco central dos EUA) no curto prazo perderam força após novos dados de inflação dos EUA. A ferramenta CME FedWatch (indicador do mercado que estima a chance de mudanças nos juros) mostrou que a probabilidade de os juros ficarem sem mudança na reunião de junho subiu para 53,5%, ante 42,7% na sexta-feira. O indicador ISM de Preços Pagos da indústria dos EUA para fevereiro subiu para 70,5, contra 59,5 esperados e 59,0 antes. Esse indicador mede se as empresas estão pagando mais ou menos por insumos (custos de produção) como mão de obra e matérias-primas. A média móvel exponencial (EMA) de 20 períodos (média que dá mais peso aos preços recentes, usada para sinalizar tendência) ficou perto de US$ 5.280, enquanto o RSI de 14 períodos (índice de força relativa, que indica se o ativo está “esticado” para alta ou para baixa) caiu de acima de 80 para perto de 49. Os níveis citados incluem resistência (nível onde o preço costuma travar) perto de US$ 5.065, suporte (nível onde o preço costuma segurar) em torno de US$ 5.000 e uma barreira (resistência forte) acima de US$ 5.400. O recuo atual do ouro a partir das máximas perto de US$ 5.400 mostra um cenário difícil. O mercado fica entre o medo geopolítico (prêmio de risco: preço extra pago por medo de crise) e um Federal Reserve vendo novos sinais de inflação. Esse conflito entre busca por proteção (demanda por “porto seguro”) e política de juros mais dura (postura “hawkish”, ou seja, focada em combater a inflação com juros altos) aumenta a incerteza no curto prazo.

Como se posicionar para a volatilidade

Esse ambiente indica que a volatilidade (intensidade das oscilações de preço) deve ser o fator mais importante nas próximas semanas. O índice de volatilidade do ouro (GVZ, medida de quanto o mercado espera que o ouro oscile) disparou para níveis não vistos desde as turbulências de meados de 2025. Essa alta indica que o mercado de opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender a um preço definido) já está embutindo grandes oscilações, tornando apostas simples de direção muito arriscadas. Para quem quer aproveitar isso, pode fazer sentido “comprar volatilidade” com estratégias como straddle longo ou strangle em opções de XAU/USD. Straddle (compra de uma opção de compra e uma de venda no mesmo preço-alvo) e strangle (compra de uma opção de compra e uma de venda em preços-alvo diferentes) podem ganhar com um grande movimento para qualquer lado, seja com piora do conflito ou com alívio da crise e foco do Fed na inflação, causando queda forte. O ponto principal é esperar um rompimento relevante a partir do nível atual em torno de US$ 5.180, sem tentar adivinhar a direção. Outra alternativa, para quem acha que o Fed vai limitar qualquer alta ligada à guerra, é usar spreads verticais de call (estratégia com duas opções de compra para limitar risco e ganho). Um exemplo é vender uma call perto do pico recente de US$ 5.400 e comprar uma call com preço-alvo mais baixo para tentar lucrar com uma alta limitada. Essa estratégia considera o pano de fundo favorável ao ouro por causa da geopolítica, mas respeita a resistência técnica forte e a pressão da inflação. O fechamento do Estreito de Ormuz já causou choque nos mercados de energia, com os contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro) do petróleo Brent passando de US$ 160 por barril pela primeira vez em mais de uma década. Esse choque no preço da energia entra direto na inflação, o que complica o caminho do Federal Reserve. O impacto nas cadeias globais de suprimento (rede de produção e entrega de insumos e produtos) já aparece nas conversas de resultados das empresas nesta semana. Devemos lembrar que o Fed manteve os juros altos durante 2025, citando inflação persistente, e os dados mais recentes reforçam essa cautela. O índice de preços ao consumidor (CPI, medida da inflação ao consumidor) da semana passada mostrou que a inflação “núcleo” (core, que exclui itens muito voláteis como alimentos e energia) segue acima de 3,5%, o que fez o mercado reduzir rapidamente a chance de corte de juros em junho. Essa realidade econômica atua como força contrária à alta do ouro motivada pela geopolítica.

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