O governador do banco central da Bélgica, Pierre Wunsch, afirmou que o Banco Central Europeu (BCE) poderá cortar as taxas de juro quando a dinâmica económica mudar, mas deixou em aberto a possibilidade de novo aperto caso os próximos indicadores piorem. Disse que apoiaria uma segunda subida em julho se os dados “não estiverem a ir no sentido certo” e acrescentou que uma inflação dos serviços mais forte poderia justificar um novo aumento de 25 pontos base como salvaguarda. Defendeu também orientação condicional sobre as taxas e argumentou que não há necessidade de precipitação quando os dados são ambíguos.
Nos mercados, o euro recuou, com o EUR/USD a cair 0,21% no dia para 1,1430. O BCE, sediado em Frankfurt, define a política monetária da Zona Euro com o mandato principal de estabilidade de preços, definido como inflação em torno de 2%, e o Conselho do BCE toma decisões em oito reuniões por ano. Em condições mais extremas, pode recorrer ao Quantitative Easing (QE), comprando ativos após criar euros, uma ferramenta usada durante a Grande Crise Financeira em 2009-11, novamente em 2015 e durante a pandemia de covid; a política inversa, Quantitative Tightening (QT), envolve interromper compras e reinvestimentos à medida que a recuperação se consolida.
Inflação persistente e perspetivas de subida de taxas
Acreditamos que o Banco Central Europeu está a manter a porta aberta para mais uma subida de taxas em julho. Isto porque alguns componentes da inflação, sobretudo nos serviços, estão a revelar-se difíceis de controlar. Os dados recentes sustentam esta visão, com a inflação dos serviços de maio de 2026 a fixar-se em 4,2%, bem acima da taxa global de 3,1%.
O percurso do banco central não está definido à partida e qualquer decisão dependerá fortemente do próximo conjunto de indicadores económicos. Por isso, estamos a acompanhar de perto a estimativa rápida (“flash”) do IHPC de junho, uma vez que um número elevado poderá consolidar o argumento para nova subida. Esta dependência dos dados sugere que os traders de opções devem considerar estratégias que beneficiem de maior volatilidade no euro, como straddles ou strangles no par EUR/USD.
Implicações de mercado e estratégias de negociação
Esta postura cautelosa surge apesar de sinais de abrandamento económico, com o crescimento do PIB da Zona Euro a uns escassos 0,1% no primeiro trimestre de 2026. Vemos paralelos com períodos anteriores em que os bancos centrais foram forçados a priorizar o combate à inflação, mesmo à custa de dor económica de curto prazo. Isto torna arriscadas as posições long no euro até que o quadro inflacionista fique muito mais claro.
Com o EUR/USD atualmente a negociar perto de 1,1430, entendemos que o mercado ainda não incorporou totalmente a possibilidade de mais um aumento de 25 pontos base. Acreditamos que há valor em comprar futuros de taxas de juro de curto prazo que beneficiariam de uma subida surpresa na reunião de julho. Em alternativa, os traders podem recorrer a opções de compra (calls) sobre o euro para obter exposição ao movimento ascendente com risco definido, caso o banco decida manter as taxas inalteradas.
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