Os preços do ouro na Malásia subiram na quinta-feira, de acordo com dados da FXStreet. O metal foi cotado a 567,07 MYR por grama, acima dos 559,56 MYR de quarta-feira, enquanto a taxa por tola avançou para 6.614,17 MYR, face a 6.526,62 MYR. A FXStreet indicou ainda o preço de 5.670,69 MYR para 10 gramas e de 17.637,68 MYR por onça troy. Os cálculos adaptam a cotação internacional, via USD/MYR, para unidades locais, com atualizações diárias usando as taxas de mercado no momento da publicação; os valores são indicativos e as cotações locais podem variar.
Em separado, dados do World Gold Council citados na nota mostraram que os bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro, avaliadas em cerca de 70 mil milhões de dólares, às reservas em 2022, a maior compra anual de que há registo. A secção de enquadramento descreve a relação inversa do ouro com o dólar norte-americano e com os Treasuries dos EUA, e uma correlação inversa adicional com ativos de risco, reiterando que os movimentos são frequentemente associados ao comportamento do USD, dada a convenção de cotação XAU/USD.
Dinâmica do mercado do ouro e principais influências
Observamos que os preços do ouro mostram força, mas consideramos que as próximas semanas serão marcadas por um “cabo de guerra” entre a política de taxas de juro dos EUA e os fatores de risco globais. O essencial não é apostar numa direção inequívoca, mas preparar-se para a volatilidade. Este ambiente cria oportunidades para traders que consigam gerir forças de mercado opostas.
Um fator principal que estamos a acompanhar é a Reserva Federal dos EUA, sobretudo depois de os dados de inflação de maio de 2026 terem ficado ligeiramente acima do esperado, em 3,1%. Esta persistência da inflação torna menos provável um corte de juros no verão, o que tende a reforçar o dólar e a criar ventos contrários para o ouro. Antecipamos que o potencial de subida do ouro ficará limitado enquanto o mercado esperar que as taxas se mantenham elevadas.
O dólar forte é uma consequência direta, com o Dollar Index (DXY) a tocar recentemente nos 106,5, um máximo de vários meses. Historicamente, um DXY sustentado acima de 105 tem restringido o apelo do ouro, já que um dólar mais forte torna o metal mais caro para detentores de outras moedas. Vemos isto como um ponto de pressão relevante no curto prazo contra qualquer valorização expressiva.
Ainda assim, também observamos um suporte estrutural forte para o ouro enquanto ativo de refúgio. Os mais recentes dados do PMI global da indústria transformadora recuaram para 49,8, sinalizando uma ligeira contração económica e aumentando preocupações sobre um abrandamento mais amplo. Esta incerteza económica, combinada com as atuais tensões geopolíticas em importantes rotas marítimas, está a levar os investidores a manter ouro como “seguro”.
Além disso, não podemos ignorar a procura contínua por parte dos bancos centrais, que têm sido grandes compradores desde que a tendência acelerou em 2022. O relatório do World Gold Council relativo ao primeiro trimestre de 2026 mostrou que os bancos centrais, a nível global, adicionaram mais 250 toneladas às reservas. Esta compra consistente oferece um piso de preço sólido e sugere que quedas significativas serão provavelmente encaradas como oportunidades de compra por instituições oficiais.
Abordagem de trading em condições voláteis
Tendo em conta estes sinais contraditórios, a nossa estratégia não passa por assumir uma aposta direcional forte, mas por estruturar operações que possam beneficiar de oscilações de preço. Estamos a considerar a compra de opções call de maturidade mais longa para captar um potencial movimento de subida em caso de um evento de risco inesperado. Em simultâneo, estamos a avaliar o uso de put spreads de mais curto prazo para cobertura contra uma correção induzida pelo dólar, em direção ao nível técnico-chave de suporte de 2.250 dólares por onça.
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