As vendas a retalho no Brasil caíram 1,5% em termos mensais em abril, um resultado mais fraco do que a previsão do mercado, que apontava para uma descida de 0,6%. O dado sugere uma procura dos consumidores mais suave no arranque do segundo trimestre, após a resiliência anterior do consumo interno.
O desempenho abaixo do esperado poderá levar a uma reavaliação, no curto prazo, do dinamismo do crescimento e das perspetivas para a procura. Em termos mês-a-mês, a diferença entre o valor divulgado (-1,5%) e a previsão (-0,6%) sublinha uma contração da atividade em abril mais acentuada do que o antecipado.
Perspetiva Baixista Para os Ativos Brasileiros
O desvio em baixa nas vendas a retalho de abril é um sinal claro de enfraquecimento da procura dos consumidores no Brasil, confirmando a nossa visão de que a atividade económica está a abrandar mais do que o previsto. Em meados de junho de 2026, estes dados retrospetivos reforçam o sentimento negativo que temos observado ganhar força ao longo do último mês. Devemos posicionar-nos para mais quedas nos ativos brasileiros nas próximas semanas.
Antecipamos a continuação da fraqueza do real brasileiro face ao dólar norte-americano, depois de a moeda já ter enfraquecido para lá de 5,30, a partir de 5,15 em maio. Estes dados domésticos fracos deverão empurrar a divisa mais na direção do nível de 5,45, observado pela última vez em períodos de elevada preocupação orçamental. Estamos a comprar opções de compra (calls) sobre o USD/BRL para capitalizar esta depreciação esperada.
O índice Ibovespa, que negoceia agora abaixo de 126.000 pontos, está particularmente vulnerável, uma vez que um consumo mais baixo afeta diretamente os resultados das principais cotadas dos setores do retalho e da banca. Historicamente, quedas abruptas na confiança dos consumidores antecederam correções de 10%-15% no índice a partir dos máximos. Estamos a reforçar as nossas posições de proteção com opções de venda (puts) sobre o ETF EWZ e a vender futuros do Ibovespa.
Este dado inesperado deverá aumentar a volatilidade implícita, que tem vindo a subir nas últimas semanas. O mercado poderá estar a subestimar o risco de novos choques económicos, o que cria uma oportunidade para nós. Estamos a considerar estratégias long straddle em ações brasileiras-chave, altamente sensíveis ao consumo.
Política do Banco Central Paralisada Entre Crescimento em Abrandamento e Inflação Persistente
O dado complica o próximo passo do banco central, uma vez que o relatório de inflação IPCA de maio mostrou que os preços permanecem rígidos em 4,1%, bem acima da meta de 3,0%. O banco fica agora preso entre combater a inflação e apoiar uma economia em perda de fôlego, um conflito que quase certamente os levará a manter as taxas em 10,50%. Esta paralisia de política sustenta a nossa perspetiva baixista para os ativos mais sensíveis ao crescimento.
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