O dólar norte-americano devolveu parte da subida registada após o relatório do emprego, numa altura em que a conversa sobre um possível avanço nas negociações entre os EUA e o Irão levou o Brent para mínimos de três meses. Ainda assim, as expectativas de uma valorização gradual do dólar no curto prazo assentam numa actividade económica dos EUA resiliente, descrita como forte tanto em termos absolutos como relativos, compensando o impacto negativo na moeda decorrente do alívio das tensões geopolíticas.
A atenção vira-se agora para uma pausa da Reserva Federal enquadrada como hawkish, depois de o centro de gravidade no FOMC ter passado de uma postura de flexibilização para um viés neutro, à medida que a procura de trabalho melhorou e a inflação ganhou firmeza. Os mercados estão a acompanhar se a orientação da Fed estará alinhada com os futuros de Fed funds, que implicam uma subida de 25 pb até ao final do ano, enquanto se espera que o dot plot passe de sinalizar um corte de 25 pb em 2026 para uma projecção mediana consistente com uma subida de 25 pb. Foram também feitas referências separadas a riscos associados a Kevin Warsh com impacto nas perspectivas para o dólar.
Economia dos EUA resiliente e perspectivas para o dólar
Estamos posicionados para o dólar norte-americano subir ligeiramente nas próximas semanas. A economia americana está a mostrar resiliência, como evidencia o mais recente relatório de emprego de Maio, que criou robustos 265.000 postos de trabalho e manteve a taxa de desemprego num baixo 3,7%. Esta força fundamental deverá superar qualquer travão temporário ao dólar resultante do alívio das tensões geopolíticas, que fez descer os preços do petróleo para níveis abaixo dos 75 dólares por barril.
A postura da Reserva Federal está a mudar de neutra para hawkish, em grande medida porque a inflação não está a arrefecer tão rapidamente como se esperava. Com o CPI subjacente a manter-se firme em 3,5% em termos homólogos, o banco central tem um motivo claro para sinalizar que as taxas de juro permanecerão elevadas. A reunião do FOMC desta semana será crucial e esperamos que os comentários sejam firmes.
Estratégias e posicionamento de mercado
Para traders de derivados, este cenário aponta para a compra de opções call sobre o Índice do Dólar norte-americano (DXY) ou sobre ETF como o UUP. O mercado já está a antecipar este tom hawkish, com os futuros de Fed funds a incorporarem actualmente uma probabilidade superior a 70% de uma subida de taxas na reunião de Dezembro de 2026. Vemos valor em posições que beneficiem de um dólar mais forte, sobretudo face ao euro e ao iene.
O sinal-chave a acompanhar será o dot plot da Fed, que esperamos que passe de sugerir um corte para indicar uma projecção mediana de uma subida de 25 pontos base este ano. Este cenário é semelhante ao ciclo de aperto de 2022, em que a orientação prospectiva hawkish conduziu de forma consistente à apreciação do dólar. Assim, considere bull call spreads em USD/JPY para capitalizar este movimento esperado, definindo simultaneamente o risco.
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