O USD/BRL tem vindo a recuperar de um mínimo intermédio perto de 4,88 e está a avançar para uma zona técnica densa. O par aproxima-se da média móvel de 200 dias (DMA) e de uma linha de tendência descendente de vários meses em torno de 5,25, com uma faixa adicional de resistência nos máximos de março em 5,32/5,34. O mínimo-pivô recente em torno de 4,99 é assinalado como um nível-chave; uma quebra poderá reabrir a tendência de baixa.
Nos ativos brasileiros, o Bovespa caiu abaixo dos 170 mil pontos pela primeira vez desde o final de janeiro, enquanto os fluxos de carteira estrangeiros registaram saídas, com os investidores estrangeiros (FPIs) a venderem 3,42 mil milhões de BRL em ações este mês até 9 de junho. Em separado, o Brasil planeia emitir obrigações soberanas na China, na sequência de uma emissão anterior no mercado do euro este ano.
Barreiras Técnicas e Estratégias com Opções
O dólar norte-americano está a testar uma barreira técnica importante face ao real brasileiro em torno do nível de 5,25. Esta zona coincide com a média móvel de 200 dias e com uma linha de tendência de longo prazo, tornando-se um ponto crítico para as próximas semanas. Vemos este momento como decisivo para o par cambial.
Tendo em conta este enquadramento, estamos a considerar a compra de opções call sobre USD/BRL com preços de exercício ligeiramente acima de 5,25, antecipando uma quebra em direção à zona de resistência de 5,32/5,34. Dados recentes sustentam esta perspetiva, uma vez que o mais recente relatório de inflação IPCA-15 do Brasil ficou ligeiramente acima do esperado, em 4,1%, enquanto os rumores de uma Reserva Federal dos EUA mais “hawkish” continuam a reforçar o dólar. Uma quebra decisiva confirmaria uma nova tendência de alta para o par.
Gestão de Risco e Perspetiva de Volatilidade
É igualmente necessário gerir o risco de esta resistência se manter firme, especialmente porque os investidores estrangeiros já retiraram mais de 4 mil milhões de BRL de ações brasileiras até agora em junho. Para proteger contra uma reversão, podemos utilizar opções put com um preço de exercício abaixo de 5,10, que beneficiariam caso o par recue em direção ao suporte-chave de 4,99. Isto proporciona uma cobertura eficiente em termos de custo contra uma quebra falhada.
A tensão neste nível de 5,25 sugere que a volatilidade deverá aumentar de forma significativa. Historicamente, impasses técnicos deste tipo no USD/BRL, como o observado no final de 2024, têm-se resolvido com movimentos bruscos e rápidos. Este ambiente torna estratégias como straddles long interessante, já que podem beneficiar de uma oscilação acentuada do preço em qualquer direção.
Com a reunião do Copom do banco central brasileiro marcada para a próxima semana, a volatilidade implícita nas opções a um mês já subiu acima de 15%. Estaremos atentos a um fecho diário acima de 5,25 como gatilho para reforçar posições de alta. A incapacidade de romper este nível nas próximas sessões levar-nos-ia a realizar lucros em quaisquer operações de curto prazo.
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