A libra esterlina subiu mais de 0,19% na quarta-feira, deixando o GBP/USD a oscilar perto de 1,3400, após recuperar de um mínimo intradiário de 1,3362. Nos EUA, o IPC de maio correspondeu às expectativas, em 4,2% em termos homólogos, acelerando face aos 3,8% de abril, enquanto o IPC subjacente avançou para 2,9%, contra 2,8% anteriormente. Ainda assim, o índice do dólar norte-americano (DXY) recuou 0,11%, para 99,87. As tensões no Médio Oriente persistiram: notícias sobre um possível entendimento entre EUA e Irão quanto ao enriquecimento de urânio foram contrariadas pelo impasse nas negociações, na sequência do abate, por parte do Irão, de um helicóptero dos EUA e de uma resposta posterior de Washington.
As expectativas de taxas continuaram a ser um fator determinante. Os mercados monetários passaram a incorporar 22 pontos base de aperto da Reserva Federal até ao final do ano, enquanto no Reino Unido a curva implícita apontava para 44 pontos base de subidas do Banco de Inglaterra (BoE) até ao final de 2026. A atenção vira-se agora para o PIB do Reino Unido na sexta-feira, bem como para os pedidos iniciais de subsídio de desemprego nos EUA e para o Índice de Preços no Produtor (PPI) de maio. No gráfico, o GBP/USD situava-se em 1,3392, com o RSI (14) perto de 45 e resistência assinalada em 1,3408, 1,3461, 1,3573 e 1,3869; o suporte foi indicado em torno de 1,3159.
Perspetivas de Política da Fed e Riscos Geopolíticos
Com a inflação dos EUA agora confirmada em 4,2%, entendemos que isto reforça a postura mais agressiva (hawkish) da Reserva Federal para a segunda metade do ano. Este nível permanece mais do dobro do objetivo de 2% da Fed, numa situação que recorda a inflação persistente observada entre 2021 e 2023. Em consequência, os futuros sobre taxas de juro passam a indicar uma probabilidade superior a 80% de pelo menos uma subida de taxas até dezembro, consolidando a incorporação pelo mercado de 22 pontos base de aperto.
A escalada do conflito com o Irão introduz volatilidade significativa, sobretudo através do seu impacto nos preços da energia. Já se observa o crude WTI nos futuros a disparar para acima de 95 dólares por barril, impulsionado por estas tensões, o que terá reflexo direto em futuros relatórios de inflação e complicará as decisões de política monetária. Este prémio de risco geopolítico acrescenta uma camada de incerteza que, tipicamente, favorece o dólar como ativo-refúgio, embora a moeda esteja atualmente a mostrar fraqueza.
Suporte da Libra e Estratégias de Negociação para o GBP/USD
A dinâmica-chave, para nós, continua a ser a divergência de políticas entre a Reserva Federal e o Banco de Inglaterra. Enquanto o mercado norte-americano está a incorporar uma subida de taxas, os mercados monetários do Reino Unido já incorporaram 44 pontos base de aperto por parte do BoE até ao final do ano. Esta expectativa de que o BoE será mais agressivo no combate à sua própria inflação é a principal razão pela qual a libra esterlina se mantém firme em torno do nível de 1,3400.
Neste enquadramento, estamos a analisar opções para expressar uma visão cautelosamente otimista (bullish) sobre o GBP/USD, tirando partido do diferencial de taxas de juro. A compra de opções call com preço de exercício em torno de 1,3450 para o final de julho permitir-nos-ia beneficiar caso o par rompa acima da resistência técnica atual, limitando estritamente o risco de queda. Esta estratégia posiciona-nos para uma potencial valorização impulsionada por um Banco de Inglaterra mais agressivo.
Em alternativa, para quem antecipa que a resistência técnica se mantenha no curto prazo, a venda de puts com garantia de caixa (cash-secured) com preço de exercício perto de 1,3200 poderá ser atrativa. Esta estratégia permite receber prémio com base na perspetiva de que o forte suporte fundamental, decorrente das expectativas de subidas de taxas pelo BoE, impedirá uma queda significativa abaixo desse nível. É uma forma de ser remunerado enquanto se aguarda por uma tendência direcional mais clara.
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