Os preços do crude caíram pela quinta sessão consecutiva na quarta-feira, com o West Texas Intermediate nos 86,60 dólares por barril, mais de 4 dólares abaixo no acumulado desta semana. Confrontos entre os EUA e o Irão acrescentaram nova tensão a um cessar-fogo já frágil, mas os movimentos não conseguiram gerar uma subida sustentada do petróleo. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irão afirmou ter atingido bases dos EUA no Bahrein, na Jordânia e no Kuwait, na sequência de um ataque norte-americano a sistemas de defesa e de radar no sul do Irão. Em separado, relatos indicaram que ataques israelitas no sul do Líbano fizeram seis mortos.
Os traders têm, em grande medida, ignorado sucessivas violações do cessar-fogo, mantendo os preços bem abaixo dos 100 dólares por barril. Ainda na quarta-feira, a Energy Information Administration deverá divulgar o seu relatório semanal de Variação das Reservas de Petróleo, com previsão de mostrar uma sétima queda consecutiva, incluindo uma redução de 4 milhões de barris na semana de 5 de junho, após uma diminuição de quase 8 milhões de barris na semana anterior. As reservas comerciais de petróleo são descritas como no nível mais baixo desde 2003, e espera-se que a divulgação dos dados influencie o potencial de descida do WTI no curto prazo.
Desconexão entre a geopolítica e os fundamentos de mercado
Observamos que o mercado está, neste momento, a desvalorizar os focos de tensão geopolítica, concentrando-se antes nas expectativas de uma solução diplomática entre os EUA e o Irão. Este sentimento está a criar uma desconexão entre a queda do preço e o aperto da oferta física. Acreditamos que isto cria uma janela de oportunidade para posições altistas nas próximas semanas.
Posicionamento para uma recuperação num contexto de oferta apertada
Espera-se que o próximo relatório da EIA confirme uma redução de 4 milhões de barris, aproximando as reservas comerciais dos EUA de 425 milhões de barris, o nível mais baixo para esta altura do ano desde 2003. Dados recentes mostram também que a disciplina de produção da OPEP+ se mantém elevada, com o cumprimento a permanecer acima de 100% no mês passado. Este aperto da oferta colide diretamente com previsões de procura recorde de gasolina no verão nos EUA, projetada para ultrapassar 9,5 milhões de barris por dia.
Perante a escassez de oferta esperada para julho e agosto, estamos a posicionar-nos para uma recuperação através da aquisição de opções de compra (calls). Em concreto, estamos a considerar contratos de WTI de agosto com preços de exercício (strike) entre 90 e 95 dólares. Estas opções permitem-nos captar uma potencial valorização, ao mesmo tempo que a tendência atual de queda tornou os respetivos prémios relativamente baratos.
Este cenário é semelhante às condições de mercado de meados de 2022, quando o aperto fundamental da oferta acabou por se impor aos receios de recessão, desencadeando uma recuperação significativa dos preços. A complacência atual do mercado face às tensões no Médio Oriente está a criar uma dinâmica semelhante. Consideramos o preço atual de 86,60 dólares como um ponto de entrada atrativo, antes de a realidade da oferta forçar os preços a subir.
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