O dólar norte-americano manteve-se firme após dados robustos do emprego nos EUA terem levado a uma reavaliação das expectativas em relação à Reserva Federal, enquanto a subida dos preços do petróleo acrescentou pressão sobre ações e obrigações. O ambiente de aversão ao risco penalizou as divisas de mercados emergentes (EMFX) face às moedas do G10, embora o won sul-coreano tenha superado o desempenho, numa altura em que as autoridades da Coreia do Sul intensificaram os esforços para estabilizar a moeda. Entretanto, o USD/JPY recuou brevemente abaixo de 160,00 depois de tocar 160,39 — muito perto do máximo de 30 de abril, nos 160,72, que anteriormente desencadeou intervenção.
Os futuros de fed funds incorporam totalmente uma subida de 25 pb para um intervalo-alvo de 3,75–4,00% até ao final do ano, e depois quase 50 pb de aperto adicional ao longo dos próximos doze meses, à medida que a procura por mão-de-obra melhora e a inflação se mantém persistente. Os mercados enfrentaram ainda um travão em três frentes: uma correção no “trade” de IA, expectativas de maiores subidas de taxas por parte da Fed e um salto no preço do crude ligado à escalada das tensões Irão–Israel. O artigo foi produzido com assistência de IA e editado.
Perspetivas para o dólar suportadas por economia forte e política da Fed
Prevemos que o dólar norte-americano se mantenha firme nas próximas semanas, apoiado por uma economia dos EUA robusta. O mais recente relatório do emprego, divulgado na passada sexta-feira, mostrou que os EUA criaram uns surpreendentes 245.000 postos de trabalho em maio, mantendo a taxa de desemprego num nível baixo de 3,8%. Esta força continuada do mercado de trabalho sugere que a Reserva Federal tem poucos motivos para considerar um alívio da política monetária.
A inflação continua a ser um fator-chave, com os dados mais recentes do Índice de Preços no Consumidor (CPI) a apontarem para uma subida homóloga de 3,6%, ainda bem acima do objetivo da Fed. Como resultado, consideramos que os mercados de futuros estão a precificar integralmente pelo menos mais uma subida de 25 pontos base das taxas até ao final de 2026. Este alargamento do diferencial de taxas de juro entre os EUA e outras grandes economias deverá continuar a atrair capital e a sustentar o dólar.
Sentimento “risk-off”, preocupações geopolíticas e estratégias de mercado
Um sentimento mais amplo de aversão ao risco (“risk-off”) também está a dar suporte ao dólar enquanto ativo-refúgio. Observa-se pressão sobre as ações, com o abrandamento do rally alimentado pela IA e o aumento das tensões geopolíticas a empurrarem os preços do Brent de novo para acima de 95 dólares por barril. Este tipo de incerteza leva, tipicamente, os investidores a procurar a segurança relativa do dólar.
Para os traders de derivados, isto aponta para continuidade da força do par USD/JPY, que volta a testar o nível de 160 que motivou intervenção em 2024. Dado o enorme fosso entre a política de taxas da Fed e a do Banco do Japão, acreditamos que opções call sobre USD/JPY são uma forma atrativa de posicionamento para maior valorização. Esta estratégia permite participar numa continuação da subida, ao mesmo tempo que delimita o risco caso as autoridades japonesas intervenham para apoiar o iene.
Antecipamos também fraqueza adicional das moedas de mercados emergentes face ao dólar. A combinação de uma Fed com viés agressivo (“hawkish”) e de aversão global ao risco é um enquadramento difícil para estes mercados. Os traders poderão considerar a compra de opções put sobre ETFs de divisas de mercados emergentes para se posicionarem para uma continuação do movimento de queda.
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