Espera-se que o Banco Central Europeu retome o aperto monetário após uma pausa de sete reuniões, com os mercados focados num aumento de 25 pb que elevaria a taxa diretora para 2,25%. A decisão surge numa altura em que as métricas de inflação da zona euro continuam resilientes: a inflação subjacente (core) subiu em maio para um máximo de 13 meses de 2,5% em termos homólogos, mais próxima do cenário severo do BCE para o 2T (2,4%) do que do cenário de base (2,2%) ou do cenário adverso (2,3%). A inflação dos serviços também avançou para um máximo de sete meses de 3,5% em termos homólogos, reforçando as preocupações com a sua persistência.
As atenções estão igualmente centradas nas projeções de junho do BCE, onde se espera uma revisão em baixa das previsões de crescimento. A evidência de inquéritos aponta para uma atividade mais fraca, com os dados do PMI a sugerirem que o PIB real poderá recuar -0,2% em cadeia no 2T, entre o cenário adverso (-0,1%) e o cenário severo (-0,3%), e ainda abaixo da projeção de base atual de +0,1%. Nesse contexto, o EUR/USD é esperado em 1,1400, mesmo reconhecendo-se que taxas mais elevadas podem limitar a queda num quadro de crescimento fraco e inflação mais alta.
Decisão de Taxas do BCE e Pressões Inflacionistas
Acreditamos que o Banco Central Europeu está prestes a terminar a pausa com uma subida de 25 pontos base este mês, elevando a principal taxa diretora para 2,25%. Isto acontece numa altura em que os dados de maio da inflação subjacente foram inesperadamente fortes, atingindo um máximo de 13 meses de 3,1% e confirmando que as pressões sobre os preços ainda não estão contidas. A componente de inflação dos serviços, em particular, mantém-se teimosamente elevada, forçando a mão do banco central.
Este aperto ocorre num contexto de deterioração do crescimento. O PMI preliminar (flash) da zona euro de maio caiu para 49,5, sinalizando uma contração da atividade empresarial, enquanto as encomendas à indústria na Alemanha também evidenciaram fragilidade recente. Isto contrasta com os EUA, onde o mais recente relatório de emprego (non-farm payrolls) mostrou um aumento robusto de mais de 200 mil postos de trabalho, sublinhando uma clara divergência económica.
Implicações de Mercado e Estratégias de Trading
Para os traders, este ambiente de estagflação aponta para um euro mais fraco face ao dólar. Vemos o EUR/USD, atualmente a negociar perto de 1,0950, como vulnerável a uma descida em direção a um alvo de 1,0700 nas próximas semanas. A compra de opções put sobre o EUR/USD é uma forma simples de se posicionar para esta queda esperada, gerindo simultaneamente o risco.
A própria subida de taxas representa uma oportunidade nos mercados de taxas de juro. Estamos a posicionar-nos para isso através de posições curtas em contratos de futuros de Euribor de curto prazo, antecipando que o mercado passe a refletir plenamente a postura mais hawkish do BCE. Historicamente, bancos centrais confrontados com inflação persistente muitas vezes são obrigados a apertar mais do que inicialmente esperado, mesmo num cenário de abrandamento, um padrão observado em ciclos anteriores.
Tendo em conta os sinais económicos contraditórios, esperamos um aumento da volatilidade em torno da próxima reunião do BCE. Os traders devem considerar o uso de spreads com opções, como um bear put spread, para reduzir o custo de entrada e delimitar o risco. Isto permite uma aposta direcionada num euro mais fraco sem ficar excessivamente exposto a uma mudança súbita do sentimento de mercado.
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