O produto interno bruto da Irlanda caiu 12,1% em cadeia no primeiro trimestre, ficando aquém das expectativas do mercado, que apontavam para uma descida de 2%. O resultado indica uma contração muito mais acentuada do que a antecipada pelos analistas para o início do ano.
Na comparação principal, o desvio face à estimativa consensual foi relevante em termos de magnitude, com a produção a recuar 10,1 pontos percentuais mais do que o esperado. Os dados reforçam a evidência de que o perfil de crescimento trimestral da Irlanda continua volátil, sendo possíveis oscilações bastante acentuadas do PIB de um período para o outro.
Distorções Das Multinacionais E Estabilidade Da Economia Local
A variação trimestral do PIB de -12,1% é um desvio muito significativo face à previsão de -2%, gerando elevada incerteza. Consideramos que isto não representa um colapso da economia irlandesa, mas sim uma distorção causada por empresas multinacionais a deslocarem ativos, uma característica frequente nas estatísticas da Irlanda. O essencial é olhar para além do título chocante e concentrar-se na atividade subjacente real.
Para obter uma imagem mais clara, estamos a analisar a Procura Interna Modificada (Modified Domestic Demand, MDD) da Irlanda, que caiu apenas 0,9% no primeiro trimestre. Este indicador, que exclui o setor multinacional mais volátil, mostra que a economia local é muito mais estável do que o número do PIB sugere. O consumo das famílias manteve-se resiliente, sendo este o indicador em que nos estamos a focar.
Reações Do Mercado E Implicações Para A Política
No curto prazo, este número de manchete deverá pressionar o euro, e já vimos o EUR/USD cair abaixo de 1,0750 nas primeiras transações. Entendemos que se trata de uma reação excessiva e que cria um potencial ponto de entrada para comprar opções de compra (calls) sobre o euro com maturidade de um mês. O mercado acionista irlandês, o ISEQ 20, também recua quase 3%, mas esperamos uma recuperação à medida que os detalhes forem devidamente digeridos.
Estes dados aumentam significativamente a volatilidade implícita nas opções relacionadas com o euro. Estamos a considerar estratégias que beneficiem deste pico, como a venda de opções de venda (puts) de curto prazo sobre a moeda, dado que acreditamos que o pânico é injustificado. É também um bom momento para cobrir (hedge) a exposição mais ampla a ações europeias, uma vez que os investidores podem interpretar incorretamente isto como um sinal de fragilidade mais generalizada na Zona Euro.
O Banco Central Europeu verá este valor como um argumento para manter uma orientação acomodatícia. O mercado está agora a atribuir uma probabilidade de 65% a um corte de taxas até ao quarto trimestre, face a 50% ainda ontem. Vamos acompanhar de perto os próximos comentários do BCE, pois qualquer sinal de flexibilização reforçará a nossa visão sobre a direção do mercado no curto prazo.
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