A inflação da Zona Euro, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), subiu 3,2% em termos homólogos em maio, em linha com as previsões do mercado. O valor reforça o padrão recente de crescimento dos preços acima da meta do Banco Central Europeu, evitando, contudo, uma surpresa em alta para os decisores de política monetária.
A leitura mantém o foco nas próximas decisões de política e no ritmo a que a inflação está a abrandar no conjunto do bloco. Com o IHPC em 3,2% em maio, os dados alinham-se com as expectativas e oferecem uma nova confirmação da trajetória atual da inflação, em vez de sugerirem uma alteração do momentum.
Reação do Mercado e Perspetiva de Volatilidade
Com a inflação da Zona Euro em maio a sair exatamente como esperado, nos 3,2%, o fator surpresa foi, para já, eliminado do mercado. Isto sugere que a volatilidade implícita de curto prazo em instrumentos como opções sobre o Euro Stoxx 50 deverá aliviar no imediato. Vemos isto como uma oportunidade em que o mercado faz uma breve pausa, tendo precificado corretamente este dado de inflação.
Implicações para a Política do BCE, Yields e o Euro
No entanto, a principal conclusão é que uma inflação de 3,2% continua significativamente acima do objetivo de 2% do Banco Central Europeu. Mais importante, os dados recentes mostram que a inflação subjacente — que exclui componentes voláteis como alimentos e energia — está a revelar-se persistente, mantendo-se em torno de 3,5%. Isto indica que as pressões de preços de base continuam fortes e generalizadas na economia.
Esta inflação elevada e sustentada obrigará o BCE a manter uma postura restritiva nas próximas semanas. Os mercados já incorporam uma probabilidade superior a 70% de uma nova subida de 25 pontos base na próxima reunião, visão que partilhamos. O foco passa agora integralmente para a orientação futura (forward guidance) do BCE e para saber se sinalizam a necessidade de mais subidas ao longo do verão.
Perante este cenário, acreditamos que as yields da dívida pública de curto prazo deverão manter-se elevadas. Estamos a acompanhar derivados ligados à yield da obrigação alemã a 2 anos, dado que vender contratos de futuros sobre o “Schatz” pode ser uma forma eficaz de se posicionar para uma política firme do BCE. Historicamente, quando o BCE combateu uma inflação persistente, como no ciclo de 2022-2023, as yields de curto prazo foram as primeiras a subir.
Para os traders de divisas, um BCE determinado deverá fornecer um piso de suporte ao euro, sobretudo face a moedas em que o respetivo banco central é percecionado como mais dovish. Vemos valor em posicionar para uma valorização moderada do EUR/USD através de opções de compra (calls). Esta estratégia oferece uma abordagem de risco definido para captar uma potencial apreciação do euro à medida que se aproxima a próxima decisão do banco central.
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