O ouro começou a semana em baixa, com o XAU/USD perto de 4.470 dólares, depois de ter descido abaixo de 4.450 dólares mais cedo na sessão dos EUA, numa altura em que as tensões no Médio Oriente persistiam e o dólar norte-americano se mantinha firme. As conversações entre Washington e Teerão continuaram tensas, depois de a agência iraniana Tasnim ter noticiado a suspensão das trocas de mensagens, enquanto o Comando Central dos EUA afirmou ter realizado “ataques de autodefesa” contra locais iranianos de radar e drones e a Guarda Revolucionária do Irão reportou retaliação visando uma base utilizada pelas forças dos EUA. Apesar deste contexto, o ouro desce mais de 15% desde o início da guerra e está quase 20% abaixo do pico do fim de janeiro, perto de 5.600 dólares.
A subida do petróleo acrescentou pressão, com o WTI a ganhar mais de 5% na segunda-feira, alimentando receios de inflação e reforçando expectativas de uma política mais restritiva. A ferramenta CME FedWatch mostra os mercados a atribuírem 40% de probabilidade a uma subida de 25 pontos base em dezembro. Os dados dos EUA foram robustos: o S&P Global US Manufacturing PMI subiu para 55,1 em maio, face a 54,5, enquanto o ISM Manufacturing PMI avançou para 54,0, o nível mais elevado desde maio de 2022; as atenções viram-se agora para o relatório de emprego (NFP) de sexta-feira. Do ponto de vista técnico, a resistência situa-se nos 4.600 dólares e na SMA de 100 dias perto de 4.801–4.802 dólares, enquanto o suporte é indicado pela SMA de 200 dias em torno de 4.410–4.411 dólares e por um piso nos 4.100 dólares, com o RSI perto de 43 e o ADX em torno de 24.
Principais Ventos Contrários: Força do Dólar e Preocupações com a Inflação
Com o ouro a deslizar abaixo dos 4.500 dólares, acreditamos que o caminho de menor resistência é em baixa nas próximas semanas. Os principais ventos contrários são um dólar norte-americano dominante e o foco do mercado numa inflação persistente, e não a geopolítica. O Índice do Dólar (DXY), ao ultrapassar recentemente os 106, confirma o seu estatuto de ativo de refúgio preferido pelo mercado, à frente do ouro.
O impasse contínuo entre os EUA e o Irão não está a conseguir gerar uma procura relevante por ouro, uma vez que os efeitos secundários têm maior peso. As subidas do crude, com o WTI agora a negociar acima de 80 dólares por barril, estão a alimentar diretamente as preocupações com a inflação. Isto reforça a convicção do mercado de que a Reserva Federal manterá as taxas de juro elevadas por mais tempo.
Configurações Estratégicas e Gatilhos Técnicos
Tendo em conta este cenário, procuramos comprar opções put com vencimentos no final de junho e em julho para capitalizar uma potencial fraqueza. Com o CBOE Gold Volatility Index (GVZ) a manter-se perto de um nível moderado de 14, os prémios das opções não estão excessivamente caros. Isto cria uma configuração de risco/retorno favorável para posições baixistas.
A nossa estratégia é acionada pela incapacidade do ouro em recuperar a resistência nos 4.600 dólares. O primeiro objetivo principal para estas posições em puts seria o suporte da média móvel de 200 dias em torno dos 4.410 dólares. Uma quebra decisiva abaixo deste piso técnico poderá acelerar um movimento em direção ao suporte mais relevante nos 4.100 dólares.
O relatório de emprego dos EUA (Nonfarm Payrolls) desta sexta-feira é o evento-chave que estamos a acompanhar. O relatório forte do mês passado, com 272.000 novos empregos, já moderou as expectativas de cortes nas taxas. Um novo número robusto de emprego eliminaria praticamente qualquer esperança remanescente de uma mudança de rumo da Fed no curto prazo e acrescentaria peso significativo à nossa tese baixista para o ouro.
Este ambiente é muito semelhante ao período de 2022-2023, quando o ciclo agressivo de subidas de taxas da Fed se sobrepôs de forma consistente a qualquer sentimento otimista sobre o ouro, apesar de conflitos geopolíticos em curso. Mais uma vez, a política monetária está a provar ser o principal motor do metal precioso. Vemos o custo de oportunidade de deter um ativo sem rendimento como o tema central para os traders neste momento.
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