O Banco Popular da China fixou segunda-feira a paridade central USD/CNY em 6,8167, ligeiramente mais firme do que os 6,8176 de sexta-feira e mais forte do que a estimativa de 6,7643 citada pela Reuters. A fixação orienta a sessão de negociação onshore e insere-se no âmbito mais alargado do banco central, que inclui a manutenção da estabilidade de preços e o apoio ao crescimento económico, a par da promoção de reformas financeiras e do desenvolvimento do mercado.
O PBoC é detido pelo Estado no âmbito da República Popular da China, e não uma instituição autónoma, sendo a sua gestão moldada pelo cargo de Secretário do Comité do Partido Comunista Chinês, função que Pan Gongsheng acumula atualmente com a de governador. A implementação da política recorre a instrumentos como a taxa de reverse repo a sete dias, a Medium-term Lending Facility (MLF) e a intervenção cambial, bem como ao rácio de reservas obrigatórias (RRR). A Loan Prime Rate mantém-se como a taxa de referência para crédito e hipotecas e influencia as remunerações de depósitos, com efeitos indiretos no renminbi. A China também permite banca privada: o país tem 19 bancos privados, entre os quais se destacam os credores digitais WeBank e MYbank, apoiados pela Tencent e pela Ant Group, na sequência da abertura, em 2014, a credores domésticos com capital privado.
Sinais de política do PBOC e enquadramento económico
Consideramos que o Banco Popular da China está a orientar o yuan para uma posição mais fraca do que a antecipada pelo mercado. A fixação oficial em 6,8167, quando comparada com a estimativa de 6,7643, sinaliza uma direção de política clara. Isto sugere tolerância a uma moeda mais fraca para apoiar a economia.
Este movimento está em linha com os dados económicos recentes, uma vez que o PMI oficial da indústria transformadora da China em maio recuou para 49,8, indicando uma ligeira contração. O fraco crescimento das exportações, de apenas 1,5% em abril, reforça a tese de utilização da taxa de câmbio como instrumento de apoio. Entendemos que, por agora, os decisores estão a privilegiar o crescimento em detrimento da força cambial.
Implicações para o mercado e riscos de política
A força persistente do dólar norte-americano oferece cobertura a esta viragem de política, dado que se espera que a Reserva Federal mantenha as taxas elevadas. Este diferencial de taxas de juro exerce, de forma natural, pressão descendente sobre o yuan face ao dólar. O PBOC parece estar a gerir uma depreciação controlada, em vez de contrariar a tendência de força do dólar.
Devemos considerar posicionamento para maior fraqueza do yuan, sobretudo no mercado offshore CNH, que é negociado de forma mais livre. A compra de opções call sobre USD/CNH ou a constituição de posições longas através de contratos a prazo poderão ser estratégias eficazes. Estas posições beneficiariam de uma depreciação continuada e gerida do yuan nas próximas semanas.
Ainda assim, importa manter vigilância sobre eventuais alterações a taxas de política essenciais, como a MLF, ou sobre um corte do rácio de reservas obrigatórias (RRR). Embora o PBOC esteja a permitir alguma fraqueza, o seu mandato central inclui a estabilidade, pelo que não esperamos uma queda acentuada e desordenada. Quaisquer sinais de aceleração de saídas de capital poderão levá-lo a intervir e a apoiar a moeda.
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