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Quando o alívio comercial encontra um choque energético

by VT Markets
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May 1, 2026
Os reembolsos são reais. O preço do petróleo também.

A General Motors (GM) espera um reembolso de US$ 500 milhões em tarifas (impostos cobrados na importação). A UPS começou a processar reembolsos para clientes depois de cobrar cerca de US$ 5 bilhões em tarifas em nome deles. Para grandes empresas dos EUA, a fase de tarifas impostas por “poderes de emergência” terminou do ponto de vista legal, e parte do prejuízo pode ser reduzida.

Mas essa notícia bate de frente com outra. O petróleo Brent (UKOUSD) passou de US$ 111 por barril nesta semana, alta de 13% em sete dias, e continua subindo mesmo após a proposta do Irã de reabrir o Estreito de Ormuz. O alívio nos custos do comércio e o aumento de preços puxado pela energia (inflação: alta generalizada de preços) agora andam em direções opostas ao mesmo tempo, e o mercado precisa levar os dois em conta.


Como o cenário de tarifas mudou

Em fevereiro, a Suprema Corte decidiu que a IEEPA (lei dos EUA para “poderes econômicos em emergência internacional”) não dá ao presidente autoridade para impor tarifas. O governo reagiu em poucas horas: trocou as tarifas derrubadas por uma tarifa única de 15% sobre todas as importações com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.

A mudança na regra vale tanto quanto a taxa. Tarifas da Seção 122 duram no máximo 150 dias e precisam de aprovação do Congresso (Parlamento dos EUA) para continuar. Elas também são “não discriminatórias”, ou seja, valem para todos de forma parecida, o que dificulta usá-las como moeda de troca em negociações com um país específico, como acontecia com as tarifas da IEEPA.

O governo também abriu novas investigações da Seção 301 (processo legal dos EUA para investigar práticas comerciais de outros países e, se houver justificativa, aplicar tarifas) sobre excesso de capacidade na indústria (quando fábricas produzem mais do que o mercado consegue absorver) em várias grandes economias. O recado é que tarifas por setor podem ser a próxima etapa.

Para quem importa, o quadro é este:

Os valores de reembolso são reais, mas o contexto importa. Os US$ 500 milhões da GM vêm depois de US$ 3,1 bilhões em custos com tarifas no ano passado — e a empresa ainda espera gastar de US$ 2,5 a US$ 3,5 bilhões com tarifas em 2026 mesmo após o reembolso. A regra mudou. O peso no lucro não sumiu.


O petróleo vai na direção oposta

A IEA (Agência Internacional de Energia) descreveu o fechamento do Estreito de Ormuz como a maior interrupção de oferta (queda na quantidade disponível) na história do mercado global de petróleo. Antes do conflito, no fim de fevereiro, uma média de 129 navios cruzava o estreito por dia. No último domingo, apenas oito navios passaram.

A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos desviaram parte do fornecimento por oleodutos terrestres, e uma liberação coordenada de reservas estratégicas (estoques guardados por governos para emergências) ajudou a evitar os piores cenários. Mesmo assim, Brent (UKOUSD) acima de US$ 110 ainda alimenta a inflação em economias que dependem muito de importação. Querosene de aviação, frete e matérias-primas petroquímicas (insumos feitos do petróleo, usados em plásticos e outros produtos) sobem junto.

Os efeitos por setor já aparecem:

  • Logística: fretes subindo forte; carga aérea é a mais afetada
  • Automóveis: pressão de custo de insumos (materiais e peças) contra concorrentes de fora, reduzindo o efeito dos reembolsos de tarifas
  • Varejo: custo de importação apertado pela energia e por tarifas que ainda existem
  • Produtores de energia: produção doméstica dos EUA segurando, mesmo com preços altos

Veja como negociar (comprar e vender) commodities (matérias-primas, como petróleo) e futuros (contratos para comprar/vender no futuro por um preço combinado) aqui.


Duas forças, uma linha de resultado

Ver as duas forças ao mesmo tempo pode confundir. Para traders de CFD (Contrato por Diferença: instrumento em que você lucra ou perde com a variação do preço, sem comprar o ativo de fato), esse cenário não é motivo para sair do mercado. É justamente onde surgem oportunidades de curto prazo dos dois lados (alta e queda).

O alívio de tarifas aponta para recuperação da demanda. Menos barreiras ao comércio reduzem custos, destravam a cadeia de suprimentos (o caminho de produção e entrega) e melhoram as margens (quanto sobra de lucro). O choque do petróleo aponta para inflação mais persistente. Energia mais cara aumenta o custo de transporte, aperta o consumo e complica a vida dos bancos centrais (autoridades que definem juros) na hora de cortar taxas.

Em setores como automóveis e logística, as duas forças atingem o mesmo resultado ao mesmo tempo. Não é um ganho claro: é pressão dos dois lados.

Economistas compararam com a crise de energia dos anos 1970, alertando para o risco de estagflação (inflação alta com economia fraca) se o petróleo seguir caro no segundo semestre. Isso depende de quão rápido o tráfego em Ormuz volta e de como os bancos centrais vão interpretar a alta de preços: temporária (passageira) ou estrutural (mais duradoura). Ainda não há resposta clara. Explore tipos de inflação aqui.


O que ainda falta resolver

Três pontos devem definir o cenário no próximo trimestre.

Primeiro, se as tarifas da Seção 122 vão sobreviver a contestação na Justiça. Vários estados já entraram com ações dizendo que não existem as condições de “balanço de pagamentos” (situação das contas do país com o exterior) usadas para justificar tarifas. Se essas ações vencerem, a política comercial entra em nova fase de incerteza antes do meio do ano.

Segundo, a velocidade de recuperação do transporte em Ormuz. Nesta era Trump, todo país é afetado por ameaças comerciais. Mesmo com cessar-fogo, o tráfego no estreito segue muito abaixo do nível pré-conflito. Especialistas esperam meses, não semanas, para o petróleo normalizar. E a inflação do choque de oferta já entrou nos preços, aconteça o que acontecer.

Terceiro, o que sai das investigações da Seção 301. Se tarifas por setor para aço, semicondutores (chips, peças eletrônicas essenciais) e minerais críticos (matérias-primas importantes para tecnologia e energia) vierem no segundo semestre, empresas que achavam que o atrito no comércio ficou para trás terão de rever isso.

O alívio no comércio ajuda. Mas chegou num mercado que já enfrenta um problema maior para precificar.


Mercados presos entre forças opostas não seguem uma direção única. Eles oscilam e criam condições que valem atenção. Há instrumentos em que essa tensão pode ser negociada diretamente.


Explore os ativos citados com a VT Markets hoje.

TLDR

Por que reembolsos de tarifas não melhoram totalmente os resultados das empresas?
Reembolsos como os US$ 500 milhões da GM aliviam, mas só cobrem parte do que já foi pago. As empresas ainda têm gastos com tarifas, então o impacto nas finanças continua grande.

Como a alta do petróleo afeta setores diferentes?
Petróleo mais caro aumenta custos na cadeia de suprimentos. Empresas de logística pagam mais frete, montadoras enfrentam insumos mais caros, e o varejo vê margens menores por importações e transporte mais caros.

Qual é a importância do modelo de tarifas da Seção 122?
As tarifas da Seção 122 são temporárias e precisam de aprovação do Congresso para continuar. Diferente das tarifas anteriores, elas são amplas e valem para todos, o que limita seu uso como ferramenta de negociação comercial.

Por que a interrupção no Estreito de Ormuz importa para os mercados?
O Estreito de Ormuz é uma rota central do petróleo no mundo. Com menos navios passando, a oferta cai, o preço sobe e a pressão de inflação aumenta em vários países.

Quais são os principais fatores que o mercado acompanha agora?
O mercado olha três pontos: ações na Justiça contra as tarifas da Seção 122, a volta do transporte de petróleo por Ormuz e o resultado das novas investigações da Seção 301 que podem virar tarifas por setor.

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