Dólar mantém ganhos à medida que o Fed se torna mais agressivo no combate à inflação

by VT Markets
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Apr 30, 2026

Pontos-chave

  • O USDX foi negociado a 98,799, alta de 0,313 ponto (0,32%), depois de atingir a máxima do dia em 98,871.
  • O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) manteve a taxa básica entre 3,50% e 3,75%, mas quatro dirigentes discordaram da decisão.
  • O mercado já não espera cortes de juros do Fed neste ano e começou a considerar a chance de uma alta em 2027.

O índice do dólar ficou perto de 99 na quinta-feira, mantendo os ganhos recentes após o Fed manter os juros, mas passar um sinal mais “hawkish” (mais duro, ou seja, com menos disposição para cortar juros e mais foco em combater a inflação) do que o mercado esperava. O Fed manteve a taxa de referência (taxa básica usada como guia para os juros da economia) entre 3,50% e 3,75%, enquanto quatro dirigentes votaram contra.

Foi o maior número de votos contra desde 1992, indicando que o debate interno no Fed ficou mais dividido à medida que aumentam os riscos de inflação (alta generalizada dos preços).

Essa divisão importa para o dólar. Um dirigente queria um corte de 25 pontos-base (0,25 ponto percentual), enquanto três foram contra manter no texto a indicação de “viés de afrouxamento” (sinal de que o banco central poderia reduzir juros). Isso sugere que o centro da decisão no Fed pode estar saindo de “cortar juros” para uma postura mais neutra ou até mais dura.

Isso mudou as expectativas de juros. O mercado já tirou do preço a chance de cortes do Fed neste ano e passou a atribuir probabilidade a uma alta em 2027. Isso dá mais sustentação ao dólar, principalmente quando o preço do petróleo e o risco geopolítico (tensão entre países que afeta mercados) mantêm viva a preocupação com a inflação.

Risco com o Irã aumenta a busca por segurança

O dólar também ganhou apoio com a tensão elevada no Oriente Médio. O presidente Donald Trump disse que os EUA manteriam o bloqueio naval ao Irã até que haja um acordo nuclear, enquanto Teerã acusou Washington de tentar forçar o país a ceder por meio de pressão econômica.

Relatos também disseram que Trump manteve uma estratégia de bloqueio prolongado após rejeitar a última proposta do Irã, que havia adiado as conversas nucleares até que questões de transporte marítimo fossem resolvidas.

Isso sustenta o dólar por dois caminhos. Primeiro, a tensão geopolítica costuma aumentar a procura por ativos “porto seguro” (investimentos vistos como mais seguros em crises) e com alta liquidez (fáceis de comprar e vender). Segundo, o bloqueio mantém pressão sobre o petróleo e os custos de energia, o que pode fazer o Fed ter mais cuidado antes de reduzir juros.

Essa combinação favorece o dólar em relação a moedas ligadas a economias mais fracas ou a países que importam muita energia. Também torna o próximo movimento do petróleo importante para o USDX. Se os preços de energia continuarem altos, o dólar pode continuar apoiado por proteção contra inflação (buscar ativos que tendem a resistir à alta de preços) e por fluxos defensivos (movimento para investimentos mais seguros).

Decisões do BCE e do BoE podem mudar o equilíbrio no câmbio

Agora a atenção vai para o Banco Central Europeu (BCE, o banco central da zona do euro) e o Banco da Inglaterra (BoE, o banco central do Reino Unido) mais tarde. O BCE terá reunião de política monetária (decisão sobre juros e medidas para controlar inflação e crescimento) em 30 de abril, com decisão às 14h15 (CET) e coletiva de imprensa depois.

O Banco da Inglaterra também deve publicar, em 30 de abril, seu Resumo de Política Monetária e a ata (registro do que foi discutido e decidido). A taxa básica atual (Bank Rate) está em 3,75%, com a inflação em 3,3% frente à meta de 2%.

Essas decisões importam porque o dólar já subiu com a postura mais dura do Fed. Se BCE ou BoE soarem mais cautelosos do que o Fed, o USDX pode subir mais. Se forem duros o suficiente para sustentar euro ou libra, a alta do dólar pode perder força perto de uma resistência (faixa de preço onde costuma aparecer venda e o avanço fica mais difícil).

Análise técnica

O USDX está perto de 98,80, tentando estabilizar após a queda recente a partir da máxima de 100,48, com o preço voltando a subir dentro de uma recuperação de curto prazo. A estrutura mais ampla ainda mostra um mercado lateral (preço andando em faixa, sem tendência clara), mas o movimento recente indica que compradores tentam retomar o controle após a fraqueza de meados de abril.

No lado técnico, o impulso (força do movimento do preço) melhora aos poucos, mas ainda sem confirmação. O preço fica logo acima das médias móveis de 5 dias (98,55) e 10 dias (98,38) — média móvel é um cálculo que suaviza o preço para mostrar melhor a direção — e ambas começam a virar para cima, servindo como suporte (região onde costuma aparecer compra). A média de 20 dias (98,54) está muito perto do preço atual, reforçando a ideia de que o mercado está numa zona de virada (ponto em que pode escolher direção), e não numa tendência limpa.

Níveis importantes:

  • Suporte: 98,55 → 97,90 → 96,40
  • Resistência: 99,40 → 100,50 → 101,00

O preço agora tenta avançar para a resistência em 99,40, nível que travou as tentativas recentes de recuperação. Um rompimento sustentado acima dessa faixa pode abrir caminho de volta para a máxima de 100,50, onde antes apareceu venda mais forte. Seria preciso continuidade depois disso para confirmar uma alta mais ampla.

Na queda, 98,55 é o suporte mais imediato. Se perder esse nível, a recuperação perde força e expõe 97,90, com chance de uma queda maior se a pressão vendedora aumentar.

No geral, o USDX tenta formar uma base após a correção (criar um piso para voltar a subir), com o preço “apertando” perto das médias móveis principais. A direção no curto prazo deve depender de os compradores retomarem a zona de 99,40 ou de os vendedores voltarem abaixo dela.

Impactos para o mercado

Um dólar mais forte pode pressionar commodities (matérias-primas), moedas de mercados emergentes e ativos de risco (investimentos que costumam cair quando o medo aumenta). O ouro pode ter dificuldade se o USDX passar de 99,406, principalmente se os rendimentos dos títulos (juros pagos por títulos do governo) continuarem firmes. O petróleo é mais complexo, porque o risco de oferta (chance de faltar produto) pode sustentar o preço mesmo com o dólar subindo.

Para ações, o sinal é misto. Um dólar mais forte e menos expectativa de cortes de juros pode pesar sobre ações de crescimento (empresas cujo valor depende mais de lucro futuro) e sobre lucros de multinacionais. Ao mesmo tempo, o dólar pode continuar procurado se traders buscarem proteção por causa do risco ligado ao Irã.

O cenário mais cauteloso favorece um USDX firme enquanto o preço ficar acima de 98,546 e 98,383. Um rompimento claro acima de 98,871 pode sustentar um movimento até 99,406. Um fechamento acima de 99,406 pode reabrir caminho para 100,481. Se BCE ou BoE adotarem um tom mais duro, ou se as notícias sobre o Irã melhorarem, o dólar pode perder força e voltar a testar 98,383 antes de 97,910.

Perguntas de traders

Por que o índice do dólar está perto de 99?

O índice do dólar está perto de 99 porque o Fed manteve os juros, mas mostrou um tom mais duro em relação à inflação.

O USDX foi negociado a 98,799, alta de 0,313 ponto (0,32%), depois de atingir a máxima do dia em 98,871.

O que o Federal Reserve fez?

O Fed manteve a taxa de juros inalterada, como o mercado esperava.

A principal mudança foi o tom. Quatro dirigentes discordaram, dizendo que o Fed não deveria mais sinalizar viés de afrouxamento (indicação de que poderia cortar juros). Isso mostrou mais divisão interna sobre o que fazer com a política monetária.

Por que o Fed pareceu mais “hawkish”?

O Fed pareceu mais duro porque as preocupações com a inflação cresceram, em parte por causa do preço mais alto do petróleo e do conflito envolvendo o Irã.

Se a energia continuar cara, custos de transporte e produção podem subir. Isso dificulta a queda da inflação e reduz o espaço para o Fed cortar juros.

O mercado ainda espera cortes de juros do Fed neste ano?

Não. O mercado já descartou cortes de juros do Fed neste ano.

Traders também começaram a colocar probabilidade em uma possível alta de juros em 2027. Isso ajuda o dólar porque juros mais altos por mais tempo tendem a tornar a moeda mais atraente.

Como o conflito com o Irã está ajudando o dólar?

O conflito com o Irã ajuda o dólar por causa da busca por segurança e do risco de inflação.

O presidente Donald Trump disse que os EUA manteriam o bloqueio naval ao Irã até que haja um acordo nuclear. Teerã acusou Washington de tentar forçar o país a ceder por meio de pressão econômica. Isso mantém o risco geopolítico alto e sustenta a procura pelo dólar.

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