Rali do petróleo testa US$ 100 com o retorno do risco em Hormuz

by VT Markets
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Apr 24, 2026

Pontos-chave

  • O petróleo Brent subiu 99 centavos (0,94%) para US$ 106,06 por barril às 04h10 GMT (horário de Greenwich), enquanto o WTI ganhou 71 centavos (0,73%) para US$ 96,56.
  • Na semana, o Brent subiu 17,13% e o WTI 15,13%, a segunda maior alta semanal desde o início da guerra.
  • O CL-OIL é negociado perto de 96,404, queda de 0,533 (0,55%), com a média móvel de 20 dias em 97,241 como primeira barreira.

O petróleo saiu de uma alta por “medo” e virou uma alta por risco real de falta de oferta (ou seja, chance de faltar produto no mercado). Os contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro a um preço definido) do Brent subiram 99 centavos (0,94%) para US$ 106,06 por barril às 04h10 GMT, enquanto os do West Texas Intermediate (WTI) subiram 71 centavos (0,73%) para US$ 96,56. Depois, a Reuters informou o Brent perto de US$ 106,30 e o WTI perto de US$ 96,92, com traders precificando nova tensão no Estreito de Ormuz.

O movimento semanal mostra como o mercado mudou rápido os preços por causa do risco. O Brent subiu 17,13% na semana, e o WTI subiu 15,13%, a segunda maior alta semanal desde o início da guerra. Ambos os contratos de referência (preços usados como padrão pelo mercado) fecharam com alta de mais de 3% na quinta-feira. Eles saltaram US$ 5 por barril após relatos de que as defesas aéreas (sistemas militares que tentam derrubar mísseis e aeronaves) estavam atingindo alvos sobre Teerã e de que a disputa de poder entre radicais e moderados no Irã aumentou.

O principal fator é o Estreito de Ormuz. O fechamento após o começo da guerra entre EUA e Israel contra o Irã cortou cerca de 20% do fornecimento mundial de petróleo e de GNL (gás natural liquefeito: gás resfriado até virar líquido para facilitar o transporte). O Irã também publicou na quinta-feira um vídeo de comandos em lancha rápida invadindo um grande navio de carga após o fracasso das negociações de paz, reforçando seu controle sobre uma rota por onde normalmente passam 20% do petróleo e do gás do mundo.

Risco em Ormuz Afeta Mais do que o Petróleo

O mercado não está só precificando barris. Está colocando no preço atrasos no transporte, seguro contra guerra, risco para refinarias (instalações que transformam petróleo bruto em gasolina, diesel e outros combustíveis), tensão no GNL e a chance de a inflação de combustíveis voltar para os preços ao consumidor. A Agência Internacional de Energia (AIE, órgão que reúne dados e análises de energia) disse que pouco mais de 112 bcm (bilhões de metros cúbicos, medida de volume de gás) de GNL passaram pelo estreito em 2025, quase 20% do comércio global de GNL. Segundo a AIE, quase 90% foi para a Ásia e pouco mais de 10% para a Europa.

Isso deixa a Ásia mais exposta se o fechamento durar. A Reuters informou que as importações de GNL da Ásia em abril devem cair para 19,03 milhões de toneladas métricas, com a parte do Catar caindo de uma média acima de 6 milhões de toneladas antes da guerra para apenas 800 mil toneladas. As importações chinesas de GNL em abril devem cair para 3,36 milhões de toneladas, o menor nível desde 2018. Já os preços de GNL no mercado à vista (compra para entrega rápida) subiram para US$ 25,30 por mmBtu (milhão de BTU, unidade de energia usada para precificar gás) em março, antes de recuar para US$ 16,05 por mmBtu.

Nos mercados, isso pode gerar um efeito em cadeia. Petróleo mais caro pode aumentar a inflação cheia (o índice geral, que inclui energia), reduzir a expectativa de cortes de juros, apoiar o dólar e pressionar setores da bolsa ligados a transporte, companhias aéreas, indústria e consumo. Produtores de energia podem se beneficiar, mas o mercado pode sofrer se o petróleo alto for visto como “imposto” de inflação, e não como sinal de crescimento.

Diplomacia Ajuda, mas Não Dá Certeza

A história de cessar-fogo ficou mais incerta, com sinais mistos da diplomacia e do posicionamento militar. Há indícios de avanço, mas sem prazo claro para uma solução mais ampla.

Os fatos recentes sugerem esforço para reduzir tensões em partes da região, o que pode melhorar o humor do mercado no curto prazo. Porém, a tensão de fundo continua, e atores importantes indicam que a escalada ainda pode acontecer se o cenário mudar.

Com isso, o mercado fica no mesmo dilema. Notícias diplomáticas podem reduzir o pânico e levar à realização de lucros (venda após uma alta para garantir ganho), mas ainda não eliminam o risco de falta de oferta que já está embutido nos preços.

Análise Técnica

O CL-OIL está perto de 96,40, mais estável após uma queda recente a partir da zona de resistência 105–106 (faixa de preço onde costuma aparecer venda). O preço tenta formar uma base depois de uma correção forte (queda após uma alta) em relação às máximas anteriores. A estrutura geral continua alta após a forte alta da faixa dos 80 e poucos, mas a força no curto prazo perdeu intensidade.

Pela leitura técnica, o viés é neutro, levemente positivo. O preço se mantém um pouco acima das médias móveis (média de preços de um período, usada para ver tendência) de 5 dias (92,43) e 10 dias (91,37), que estão ficando mais “retas” e viram suporte no curto prazo. Já a média móvel de 20 dias (97,24) virou resistência acima do preço, sugerindo que a força de alta diminuiu e o mercado está andando de lado.

Níveis importantes:

  • Suporte: 95,00 → 91,50 → 87,00
  • Resistência: 97,50 → 100,00 → 105,90

O mercado testa a resistência em 97,50, que coincide com a média de 20 dias e com máximas recentes de consolidação (período andando de lado). Um rompimento acima pode levar o preço até o nível psicológico de 100,00 (número redondo que costuma atrair atenção), com espaço para subir mais se os compradores retomarem o controle.

Para baixo, 95,00 é o suporte imediato. Se perder esse nível, pode abrir caminho para 91,50, onde pode aparecer compra mais forte por causa da base anterior.

No geral, o petróleo entrou em fase de consolidação (andar de lado) após uma alta com muita oscilação, com o preço preso entre suporte e resistência. O foco é se os compradores recuperam 97,50 ou se o mercado vira para baixo e revisita a faixa de suporte mais baixa.

Impactos de Mercado para a Próxima Sessão

Petróleo acima de US$ 100 mantém o risco de inflação no centro do mercado. Isso tende a aumentar a busca pelo dólar como proteção, pesar em ações mais sensíveis a juros e fazer traders reavaliar os rendimentos dos títulos (juros pagos por títulos públicos e privados) se combustíveis começarem a influenciar as expectativas de inflação do consumidor.

Uma queda abaixo de 92,433 e 91,372 reduziria a pressão. Isso indicaria que traders estão tirando do preço o “prêmio de guerra” (parte do preço que reflete risco de conflito) e esperando provas de perda real de oferta antes de empurrar os preços para cima de novo. Nesse cenário, ações podem respirar, enquanto papéis de energia podem perder força no curto prazo.

Perguntas de Traders

Por que os preços do petróleo estão subindo?

Os preços sobem porque traders estão colocando no preço um novo risco militar no Oriente Médio. O Irã divulgou imagens de comandos abordando um navio de carga no Estreito de Ormuz, e houve relatos de que as defesas aéreas de Teerã atingiram “alvos hostis”.

O Brent subiu 99 centavos (0,94%) para US$ 106,06 por barril às 04h10 GMT. O West Texas Intermediate subiu 71 centavos (0,73%) para US$ 96,56.

Por que o Estreito de Ormuz é importante para o petróleo?

O Estreito de Ormuz é importante porque cerca de 20% do petróleo e do GNL do mundo passa por ali. Qualquer fechamento ou interrupção pode reduzir rapidamente a oferta disponível, aumentar o risco no transporte marítimo e adicionar um prêmio de risco de oferta (um valor extra no preço por medo de faltar produto).

O fechamento após o começo da guerra entre EUA e Israel contra o Irã reduziu cerca de 20% da oferta mundial de petróleo e GNL, deixando o mercado de energia muito sensível a novas manchetes.

Quanto o petróleo subiu nesta semana?

O Brent subiu 17,13% na semana, e o WTI 15,13%. Foi a segunda maior alta semanal desde o início da guerra.

Ambos também fecharam com alta de mais de 3% na quinta-feira e avançaram US$ 5 por barril após relatos de defesas aéreas atuando sobre Teerã e de aumento de tensões dentro da liderança política do Irã.

O petróleo pode subir mais?

Pode subir mais se as conversas entre EUA e Irã não avançarem até o fim de abril e os combates voltarem. A Haitong Futures alertou que o petróleo pode fazer novas máximas no ano se o cessar-fogo virar uma etapa de preparação para a guerra.

Pela análise técnica, o CL-OIL precisa se manter na faixa de US$ 90 e poucos e romper acima da média móvel de 20 dias em 97,241. Um avanço mais forte acima de 105,927 pode reabrir caminho para o pico anterior perto de 119,427.

Quais níveis de preço os traders devem acompanhar?

Vale acompanhar 97,241 primeiro, que é a média móvel de 20 dias no gráfico diário do CL-OIL. Um fechamento diário acima desse nível indicaria compra mais forte no curto prazo.

O suporte fica perto de 95,987, depois a média móvel de 5 dias em 92,433 e a de 10 dias em 91,372. Perder esses níveis pode enfraquecer a recuperação e expor 87,147.

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