Movimentos do mercado asiático
O GIFT Nifty, da Índia, subiu 0,14%, para 24.450, indicando uma abertura entre positiva e estável para o índice Nifty. A expectativa era de mais cautela por causa da incerteza. O Irã sinalizou na sexta-feira que o estreito seria reaberto, mas voltou atrás no sábado. Isso aconteceu depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, se recusou a suspender o bloqueio aos portos iranianos. Os militares do Irã disseram que os EUA violaram um cessar-fogo (acordo para parar os ataques) ao atirar contra um navio comercial iraniano e afirmaram que vão retaliar (responder com uma ação). Trump disse que a Marinha dos EUA atirou e apreendeu (tomou controle) um navio de carga com bandeira do Irã no Golfo de Omã após ele não parar quando recebeu ordem.Risco geopolítico e volatilidade
Trump disse na Truth Social que autoridades dos EUA iriam a Islamabad para conversar com o Irã na segunda-feira. A IRNA informou que Teerã recusou retomar as negociações, citando “expectativas irrealistas”. Com a forte alta do petróleo e o fracasso das conversas entre EUA e Irã, vemos motivo para comprar volatilidade (aposta em oscilações maiores de preço) nas próximas semanas. O índice VIX da CBOE (medida do “medo” do mercado baseada nas expectativas de oscilação do S&P 500) já subiu mais de 30%, para 22,5, indicando mais nervosismo. Qualquer nova escalada militar no Golfo de Omã deve elevar ainda mais a volatilidade implícita (oscilação esperada embutida no preço das opções) em vários mercados. A operação mais direta é apostar na alta do petróleo, com os contratos futuros (acordos para comprar/vender no futuro por um preço definido) do WTI (petróleo de referência dos EUA) já passando de US$ 98 por barril. Um episódio parecido, menor, no outono de 2025 causou alta de 15% no petróleo em menos de duas semanas. Como mais de 20% do petróleo mundial passa pelo Estreito de Hormuz, a estratégia é mirar preços mais altos com opções de compra (calls, contrato que dá o direito de comprar por um preço definido). É melhor ter cautela com o otimismo nas ações asiáticas, porque energia cara tende a aparecer nos números de inflação no mundo. Isso pode levar bancos centrais, incluindo o Federal Reserve (banco central dos EUA), a adiar cortes de juros ou adotar um tom mais duro (hawkish: mais inclinado a subir juros para combater a inflação). Opções de venda (puts, contrato que dá o direito de vender por um preço definido) em índices amplos como o S&P 500 podem servir como proteção (hedge: forma de reduzir perdas) contra uma queda causada por esse medo de inflação. Esse tipo de instabilidade geopolítica costuma levar investidores a buscar ativos mais seguros, o que favorece o dólar. O índice do dólar (DXY, medida da força do dólar contra uma cesta de moedas) já mostra sinais de força e pode testar máximas recentes. Isso sugere cautela com moedas de países emergentes, que geralmente sofrem com dólar forte e com o aumento do custo de importação de energia.
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