Risco de Escalada e Reação do Mercado
A agência de notícias iraniana IRNA informou no domingo que o Irã não participaria de uma segunda rodada de negociações com os EUA. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que atacaria todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã se Teerã não aceitasse os termos de Washington, aumentando o risco de escalada. Os preços do petróleo bruto subiram forte, elevando preocupações com inflação (alta generalizada de preços) e empurrando para cima os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (juros pagos por títulos do governo), o que ajudou o dólar. Os ganhos do dólar foram limitados por menor chance de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA). Ao mesmo tempo, o mercado passou a considerar uma alta de juros pelo Banco da Inglaterra (BoE, banco central do Reino Unido), dando suporte à libra. Olhando para um episódio de tensão geopolítica no mesmo período do ano passado, dá para ver a reação imediata típica do mercado a conflitos. A busca rápida por segurança no dólar abriu uma oportunidade de curto prazo para quem opera derivativos (contratos cujo valor depende de outro ativo). O gap de baixa no GBP/USD abaixo de 1,3500 foi um sinal forte. Em situações assim, operadores podem considerar comprar opções de venda (put, contrato que ganha valor quando o preço cai) de prazo curto no GBP/USD para aproveitar a queda e o aumento do medo. Vimos a volatilidade implícita (expectativa do mercado sobre oscilações futuras, embutida no preço das opções) do par passar de 25% naquela semana de abril de 2025, o que também tornou útil vender spreads de compra (call spread, estratégia com duas opções de compra para limitar risco), com risco definido (perda máxima conhecida). Isso é uma forma de tentar lucrar quando o mercado entra em modo “menos risco” (risk-off, quando investidores evitam risco).Volatilidade do Petróleo e Posição em Opções
A disparada do petróleo, causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, trouxe outra oportunidade direta. Comprar opções de compra (call, contrato que tende a ganhar valor quando o preço sobe) em futuros de petróleo (contratos para comprar/vender no futuro a um preço combinado) ou em ETFs (fundos negociados em bolsa) do setor de energia seria a forma mais direta de operar essa escalada. Dados históricos indicam que os futuros do Brent (referência global de preço do petróleo) subiram quase 10% nas 48 horas após as notícias daquele fim de semana. No entanto, a diferença na política de juros entre o Fed e o Banco da Inglaterra era a tendência mais duradoura. Enquanto a geopolítica trouxe ruído de curto prazo, a expectativa de alta de juros do BoE versus um Fed neutro (sem pressa para subir) ajudou a segurar a libra. Isso sugeria que uma queda forte do GBP/USD por medo poderia ser uma chance de compra para posições de prazo mais longo. Esse cenário de política monetária (decisões sobre juros e dinheiro na economia) acabou se confirmando nos meses seguintes: o GBP/USD se recuperou e avançou em direção a 1,3900 no terceiro trimestre de 2025. Hoje, 20 de abril de 2026, a taxa básica do Banco da Inglaterra está em 5,5%, enquanto a Fed Funds Rate (taxa de referência dos EUA) está em 5,0%. Isso confirma que a diferença entre os dois caminhos de juros, esperada no ano passado, se concretizou. Os dados atuais seguem reforçando esse tema: a inflação mais recente do Reino Unido, de março de 2026, veio em 3,1% e continua alta, mantendo pressão sobre o BoE. Assim, qualquer nova tensão geopolítica que fortaleça o dólar pode ser vista como uma possível chance de montar posições de alta (apostar em valorização) de prazo mais longo na libra. A história principal de juros continua pesando mais do que eventos temporários de risco.
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