Recuperação do Euro e da Libra Versus Dólar
O euro e a libra esterlina ainda são vistos como em recuperação frente ao dólar. O Federal Reserve (Fed — o banco central dos EUA) não tem tentado frear as apostas do mercado em altas de juros e defendeu não dar orientações firmes, citando maior incerteza geopolítica (riscos ligados a conflitos e tensões entre países). A alta do EUR/USD travou de forma clara: o par não conseguiu romper a resistência em 1,1800 (resistência: um nível de preço onde costuma aparecer muita venda e o avanço fica difícil) por três sessões seguidas na última semana. Para quem opera derivativos (produtos financeiros cujo valor depende de outro ativo, como o câmbio), isso torna interessante, no curto prazo, vender opções de compra fora do dinheiro (call “fora do dinheiro”: opção de compra que ainda não dá lucro se exercida no preço atual) com preço de exercício acima de 1,18, para receber o prêmio (prêmio: o valor pago/recebido pela opção). Esse nível também coincide com uma resistência técnica de longo prazo (análise técnica: leitura de padrões de preço), o que reduz a chance de rompimento sem um fator forte que mude o cenário. Um motivo central para a pausa é o BCE, que vem desestimulando a expectativa de alta de juros na reunião de 29 de abril. Os swaps de índice overnight (OIS — contratos usados para estimar a taxa de juros esperada no curto prazo) indicam menos de 15% de chance de alta de juros neste mês, reforçando o tom “dovish” (dovish: mais inclinado a manter juros baixos). Sem incentivo de rendimento (rendimento: retorno dos juros), o euro tende a ter dificuldade para avançar com força no curto prazo.Divergência de Política e Volatilidade das Opções
Em contraste, o Fed não tem combatido as apostas do mercado em alta de juros, criando uma divergência de política (ou seja, BCE mais “leve” e Fed mais “duro” com juros). Os futuros de Fed funds (contratos que refletem a taxa de juros esperada nos EUA) indicam mais de 70% de chance de uma alta de 25 pontos-base (ponto-base: 0,01%; 25 pontos-base = 0,25%) na próxima reunião do Fed em maio. Esse aumento da diferença de juros entre EUA e zona do euro tende a limitar novas altas do EUR/USD. Com a reunião do BCE se aproximando, a volatilidade implícita (volatilidade implícita: expectativa do mercado sobre o quanto o preço pode oscilar) de curto prazo subiu no mercado de opções de câmbio. O índice Cboe EuroCurrency Volatility (EVZ — um indicador dessa volatilidade para o euro) foi para 8,5, sugerindo que operadores esperam uma oscilação perto do anúncio. Isso pode favorecer estratégias como o straddle comprado (comprar uma call e uma put ao mesmo tempo; lucro se houver um grande movimento para cima ou para baixo). Houve algo parecido no fim de 2025 antes da reunião de dezembro: a volatilidade subiu antes do evento e caiu depois. Após o anúncio de 29 de abril, alguns podem buscar vender volatilidade (apostar que a oscilação esperada vai cair) com estratégias como strangle vendido (vender uma call e uma put fora do dinheiro). A ideia é se beneficiar da queda do prêmio (redução do preço das opções) após o evento, caso o BCE confirme o tom mais “dovish”. Apesar das dificuldades no curto prazo, pode ser cedo para apostar em uma queda forte do euro. Embora o FMI tenha reduzido a previsão de crescimento de 2026 para 1,1%, dados recentes do PMI (Índice de Gerentes de Compras: pesquisa com empresas que indica se a atividade está expandindo ou contraindo) mostraram resistência (desempenho melhor do que o esperado) no setor de serviços. Isso sugere que estratégias com risco limitado, como comprar spreads de put (comprar uma put e vender outra put em um preço diferente para limitar custo e risco), podem ser mais prudentes do que vender a moeda “a seco” (posição vendida direta, sem proteção).
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