Preços de energia e inflação canadense
A alta do petróleo bruto e problemas de oferta ligados ao conflito no Oriente Médio devem elevar os preços da gasolina no relatório de inflação de março do Canadá. A BMO Capital Markets disse que custos maiores de energia podem empurrar a inflação “cheia” (número principal, antes de ajustes) de volta para perto de 3% nos próximos meses. O presidente do Banco do Canadá (BoC), Tiff Macklem, disse que o BoC vai “ignorar” no curto prazo picos de inflação causados por energia mais cara (ou seja, não reagir imediatamente com mudanças de juros só por causa desse efeito). Ele acrescentou que o banco central está pronto para agir se a alta de preços se espalhar pela economia. O Dólar canadense é influenciado pelos juros do BoC, preços do petróleo, crescimento interno, inflação e balança comercial (diferença entre exportações e importações). O BoC mira inflação de 1% a 3% e também pode usar afrouxamento ou aperto quantitativo (compra ou venda de títulos para aumentar ou reduzir dinheiro e crédito no sistema) para afetar as condições de crédito (facilidade e custo para pegar empréstimos). Com o par USD/CAD em queda para 1,3685, vemos o efeito imediato de tensões geopolíticas menores. As notícias de cessar-fogo e a possibilidade de novas conversas EUA–Irã reduzem o apelo do Dólar como porto seguro, movimento confirmado pelo Índice do Dólar (DXY, medida do Dólar contra uma cesta de moedas), que caiu mais de 1% na última semana, para perto de 104,20. Traders de derivativos (produtos financeiros cujo preço depende de outro ativo, como opções e futuros) devem considerar que novas notícias positivas do Oriente Médio podem prolongar essa pressão de queda no par.Risco de eventos e posicionamento
O CPI canadense de março, que sai mais tarde hoje, é o principal evento da semana. Com o petróleo WTI (referência do petróleo dos EUA) agora firme acima de US$ 90 por barril — alta relevante em relação à faixa de US$ 80 vista neste período de 2025 —, o mercado espera uma inflação alta. O mercado de opções (contratos que dão o direito de comprar ou vender a um preço definido) mostra isso: a volatilidade implícita (oscilação esperada pelo mercado, embutida no preço das opções) de uma semana em USD/CAD subiu para mais de 8%, sinal de que traders esperam um movimento forte após o dado. Mesmo assim, é preciso comparar uma inflação alta com a posição do Banco do Canadá. A intenção de Macklem de “ignorar” um pico puxado por energia sugere que o banco central não deve correr para uma postura mais dura (política “hawkish”, isto é, focada em combater inflação com juros mais altos). O mercado de swaps (contratos usados para refletir expectativas de juros) concorda, indicando menos de 25% de chance de alta de juros na próxima reunião. Assim, um CPI bem acima do esperado pode não fortalecer o Dólar canadense como normalmente aconteceria. A alta do petróleo segue como o principal fator positivo para o Dólar canadense. Como o petróleo é a principal exportação do Canadá, preços altos tendem a apoiar diretamente a moeda. Vale pensar em estratégias que se beneficiem dessa relação, porque energia cara de forma sustentada continua sendo um ponto positivo para o CAD contra o USD, mesmo com ruído de curto prazo nos dados de inflação. Com esses sinais mistos, há espaço para usar estratégias com risco definido (estruturas que limitam a perda máxima) com opções. Para quem espera um Dólar canadense mais forte, um put spread em USD/CAD (estratégia com duas opções de venda, para ganhar com queda e limitar perdas se subir) pode funcionar, permitindo lucrar com movimento de baixa e limitar a perda máxima se o par virar para cima. Essa estratégia aproveita tanto o enfraquecimento do sentimento pró-Dólar quanto o suporte vindo do petróleo.
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